Falsos conceitos
O Brasil vem caminhando para a inversão de valores, desenvolvendo conceitos que em nada contribuem para o desenvolvimento do país. Bem ao contrário. A política, impregnada de gente que só vê nessa atividade meio de subir na vida, não importa a que preço, tem grande influência nessa revolução negativa. Outra, atendendo a interesses de grupos que trazem para o Brasil eventos que o país, com tantos problemas mais agudos, não teria condições de bancar, está ligada à mentalidade política que se alimenta das sobras de grandes empreendimentos (propinas). Pouco destaque se deu a dois fatos ocorridos durante os preparativos desta Copa do Mundo, que fez o Brasil curvar-se a exigências descabidas da FIFA. A queda de João Havelange, quase centenário, afastado de qualquer participação que lhe restava na entidade em que ‘reinou’ absoluto durante anos. Por aqui, a queda de seu ex-genro, que ele introduzira na CBF com sua força e que levou a administração esportiva a vícios comuns em atividades marginais. Ambos envolvidos em situações morais nada dignificantes. Outro fato, aparentemente sem influência, mas elevado à condição de exemplo: a eleição de um migrante nordestino, que só freqüentou em São Paulo a ‘escola da vida’, ao cargo de mandante do país. Igualmente o sucesso de um ‘camelô’ que se tornou um dos grandes comunicadores do Brasil. São exemplos que fazem com que jovens sonhem com um sucesso que só acontece em raríssimas ocasiões, por caminhos aparentemente mais fáceis que a educação formal. Não por acaso a bola é hoje um presente de Natal mais desejado que um livro.
Me engana…
A declaração da desconhecida ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social (nesse governo tem mais ‘caciques que índios’ – todas as secretarias tem status de Ministério), Helena Chagas, de que não há articulação no governo para substituir Gleisi Hoffmann, candidata declarada ao governo do Paraná, pelo ministro-coringa Aloízio Mercadante, faz parte do jogo.
…que eu gosto!
Difícil é acreditar que os cargos de Gleisi, na Casa Civil, Fernando Pimentel, na Indústria e Comércio, quase certo candidato em Minas, Alexandre Padilha, da Saúde, virtual candidato petista na disputa com Geraldo Alckmin (PSDB) em São Paulo, já não estejam sendo disputados ‘a tapa’. A palavra da discreta jornalista Helena Chagas, nesta altura, tem tanto valor quanto a promessa de Mário Celso Petraglia a Paulo Bayer. A coluna previu o desfecho!
Ilusão perdida
A presidente Dilma vetou a criação indiscriminada de municípios. Veto que ainda pode ser derrubado no Congresso. Estudo do IPEA mostra que a imensa maioria dos que se emanciparam até 1990, exceção feita a alguns situados em regiões de desenvolvimento acelerado como os do oeste do Paraná, não obtiveram o resultado desejado. Os custos (serviços públicos) foram maiores que os benefícios, passando a depender de um instável Fundo de Participação dos Municípios.
FOLCLORE POLÍTICO
Já contei aqui, episódio ocorrido em Foz do Iguaçu, com o então governador Jaime Canet Jr. e o então prefeito de Toledo, deputado Duílio Genari. Cante embarcaria em aviai de carreira para Curitiba, depois de um giro pela região em que levava cheques a prefeituras, evitando que prefeitos viessem a Curitiba buscá-los. Duílio viera à capital assinar um convênio. Então Prefeito. Já está iniciando a obra? Duílio constrangido explicou que não tinha assinado. Os termos do convênio não eram exatamente os que Canet acordara com ele. Em pleno domingo, Canet chamou os responsáveis e mandou reformar os termos. Dia seguinte Duílio atende um telefonema. Prefeito, queria informar que o convênio foi refeito, mas o senhor não precisava reclamar com o governador! Com seu forte sotaque italiano Duílio replicou: E pra quem você queria que io fosse reclamar. Pra nona! A própósito: o colunista conheceu pouca gente que prezasse a palavra empenhada, como Jaime Canet Jr..
