Federalismo por decreto

O descrédito que atinge a política, ciência do governo dos povos, pela ação de políticos que sequer conhecem essa definição, contribuindo com suas ações para que dela se tenha uma visão distorcida, é o mesmo que atinge os partidos políticos, cheios de boas intenções em seus programas, infelizmente desmoralizados pela prática. Não fora esse detalhe nada sutil, e  a obrigatoriedade de vivenciament o de seus estatutos fosse fiscalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral, e seus equivalentes estaduais, também eles seriam mais respeitados pelos eleitores brasileiros. O contrário com suas consequências, prejudiciais à democracia brasileira, tem sido a norma. Os partidos no poder são a prova viva de que seus estatutos são obras de ficção. Para nele se manterem, vale tudo, até a desmoralização dos princípios que juraram defender. Essa reflexão é fruto de artigo de Thomas Korontal, defensor de um federalismo real que o Brasil está longe de praticar, embora desde 17 de outubro de 1969, pela Emenda Constitucional número 1, o nome do país tenha sido alterado para República Federativa do Brasil, que restou ficando apenas como resquício da revolução de 64. Um modelo que pretende impor regras iguais para estados desiguais, num país-continente. Fundador de um partido que defende modelo que dê maior autonomia e direitos aos municípios e estados, o Partido Federalista, o autor encerra sua avaliação da invertida realidade nacional com uma imagem defendida pelo estatuto que registrou e que seria extraordinário se levada a termo: o federalismo é a soma da diversidades nacionais, um tipo de desigualdade inteligente, que respeita o localismo e o direito de cada qual, a ser feliz à sua própria maneira. O resto são ‘ismos’ de modelos centralistas.

Alarme ignorado

Editorial da Gazeta do Povo de Curitiba, chama a atenção para o alarme que soa do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) que avalia 470 mil alunos de 15 anos, oriundos de 65 países industrializados, em que o Brasil com menos lucros, entra como convidado. O resultado que se repete há três anos nos coloca na 55ª. posição em leitura e compreensão de textos; 58ª em matemática e 59ª. em ciências.

Contra-mão

Ao invés de ouvir os sinais de alarme nossas autoridades educacionais fazem ouvidos moucos, enquanto outros países, como os EUA, pelo simples fato de pagarem 20% a mais do que a média dos salários do país aos professores, obtém boa classificação. O nosso, paga 20% a menos, daí a pouca atração da carreira que em tempos passados foi respeitada.

Clamor no deserto

Outros números mostrados no editorial, como o fato de cada cinco jovens entre 15 e 29 anos, um está fora da escola; 70% deles, mulheres. Que 5,3 milhões de jovens de 18 e 25 anos, nem estudam, nem trabalham. Que 23%  jovens de 15 anos, não estão sequer na escola, o que pioraria a nossa posição no Pisa. São números muito preocupantes!  Pouca gente porém neste país, conhece essa realidade. Talvez um dos poucos seja o senador Cristovam Buarque que insiste em ficar ‘clamando no deserto’, em defesa de maiores investimentos na educação.

Façam-me o favor!

Recursos que não sobram pois surrupiados anualmente aos bilhões. E ainda vêm alguns partidários políticos a fazer a apologia do mensalão quando promovem ‘manifestação de desagravo’  a companheiros condenados. Com o detalhe adicional levantado por esta coluna: se o mensalão não existiu, como afirma inclusive um ex-presidente,  também deveriam defender os dirigentes do banco e os publicitários envolvidos pois, igualmente, estão sendo vítimas de uma injustiça!

Reflexão

O momento que vivemos, nós o construímos. Só a nós compete destruí-lo. Isso vale para a nossa vida e vale para a política. Temos o instrumento e cada um de nós sabe qual é. Na política, o voto! Lembremo-nos sempre que não existe nada completamente errado no mundo. Nem um relógio quebrado. Duas vezes ao dia ele estará certo!