Futuro tumultuado

‘Na briga entre o mar e o rochedo, quem sofre é o marisco’ ensina a sabedoria popular. As brigas políticas assemelham-se às arrebentações marítimas. Os poderosos desentendem-se em torno de seus projetos pessoais e se esquecem daquele cujos interesses deveriam estar em primeiro lugar: o povo. Quando Gustavo Fruet, impedido de realizar seu projeto pessoal de candidatar-se a prefeito de Curitiba, depois de, atendendo aos interesses do partido entrar numa disputa aparentemente suicida contra Roberto Requião, disputa cuja vitória em princípio parecia tão difícil  que acabou sendo praticamente abandonado pelos companheiros, o primeiro  erro foi cometido, como os números finais acabaram mostrando, com apenas 1% de diferença do segundo colocado (duas vagas). O outro foi afastar Gustavo da disputa municipal depois de ele ter obtido uma fantástica  votação em Curitiba. Certamente Beto Richa convencido pelos conselheiros de que elegeria um poste, expressão usual para demonstrar o alto  prestígio  que dirigentes alcançam, e que ele realmente detinha em Curitiba, insuficiente porém para as condições da disputa que se seguiu. Gustavo, perseguindo seu objetivo acabou compondo-se com adversários, numa confirmação da máxima que o mago Delfim Neto certa vez dissera ao colunista: Em negócios e em política, não existem parceiros permanentes, nem inimigos definitivos.  Todo esse intróito é para afirmar que o previsto aconteceu. A briga entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Curitiba, está apenas começando. Vai se acirrar mais ainda e em todas as suas batalhas, os olhos estarão voltados para 2014. Com Beto e o PT (hoje, Gleisi Hoffmann) que quer ganhar o Paraná, mais preocupados com o futuro, que o presente. A Gustavo Fruet que na atual situação interessaria mais conseguir descascar os abacaxis que recebeu para poder trabalhar, as querelas já criadas não são bem vindas. Com milionários restos a pagar, além de outros milhões nem constantes do orçamento, problemas não lhe faltam. Se possível, sem as brigas que hoje parecem inevitáveis.

Palavras ao vento

As duas afirmações feitas por Beto e Gustavo, dão o tom em que a confusão ocorrerá. O governador afirma que o transporte público é responsabilidade exclusiva dos prefeitos, sem se lembrar que foi seu governo que implantou o subsídio para beneficiar Luciano Ducci, seu  companheiro candidato à reeleição.

Retaliação

Já Gustavo acena com uma situação que deixará os demais municípios da Região Metropolitana da capital, em maus lençóis. Até porque, imenso número de pessoas residentes nessas cidades chamadas dormitório,  da vizinhança de Curitiba, trabalham na capital e usam transporte coletivo que, pelo sistema integrado, é subsidiado pelo curitibano. Gustavo afirma que vamos garantir a tarifa curitibana. Agora fica na responsabilidade do governador garantir a tarifa para os municípios da região metropolitana.

Realidade

Como dito ao início do comentário de hoje: vai sobrar para o marisco.

Prioridade abandonada

O assunto é grave e sério. Como lembra o presidente da Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano, Otávio Cunha Fº.  É  necessário mais do que eliminar o ICMS do diesel (que por sinal foi aumentado) como propõe o governador. Também o PIS e o Cofins, e a redução de outros impostos sobre insumos, também deveriam ser implementados pelos governos. No momento em que se retira o IPI dos carros para beneficiar a indústria automobilística e se aumenta o diesel e não a gasolina, (o governo) está estimulando o carro em detrimento do transporte coletivo.

Em choque

Uma informação interessante que vem à tona no tumulto de comentários e previsões que a morte de Hugo Chávez provocou, diz respeito ao petróleo. Há informações de que as reservas venezuelanas são maiores até do que as da Arábia Saudita. O estranho é que, a ser verdade a informação, Roraima, que faz divisa seca com a Venezuela também deveria ter reservas desse líquido. Ou será que o petróleo não ultrapassa fronteira!