Ilha da Fantasia
A suposta intenção do governo federal em reduzir seus custos, especialmente com pessoal, esbarra em duas situações. A primeira é a proximidade da campanha política em que o partido governista e seus coligados precisam fazer o maior número de prefeituras na medida em que 2012 é a véspera de 2014, se é que o leitor entende o que isso significa em termos de gastos. A segunda é ser o momento apropriado para as reivindicações que os funcionários expõem, menos os dos Judiciários e dos Legislativos brasiliense, para tentar transformar em realidade as promessas de campanha que jamais se cumprem. Judiciários e Legislativos agem com relativa autonomia, adicionando vantagens a seus salários que depois pelo efeito cascata se estendem aos demais, nos estados e municípios. O Executivo, embora acene com o orçamento curto para não atender às demandas de seus funcionários, ao revés, por decreto reduzindo salários de médicos como recentemente ocorrido, mostra preocupação pela postura do Congresso que insiste em criar vantagens. Agem deputados e senadores como o personagem de uma marchinha carnavalesca de meados do século passado que cantava: não me importa que a mula manque, o que eu quero é rosetar. Não param de inventar forma de aumentar suas vantagens. Como dito, criando o tal efeito cascata que vai até aos mais recônditos fundões do país. Enquanto isso as necessidades do Brasil aumentam com seu desenvolvimento. Sem solução. É só assistir as matérias dos jornais de tevê onde as mazelas brasileiras nas áreas de saúde e educação, são expostas ao vivo e a cores. Já é hora dos que moram na Ilha da Fantasia chamada Brasília, criarem juízo. Brasília não é o Brasil real!
Mudanças…
A sorte está lançada. Em Curitiba e nos outros 398 municípios do Estado, as fichas estão na mesa do estranho jogo eleitoral chamado eleição. Com todas as incoerências permitidas pela democracia brasileira. Todos clamam mas os que têm o poder de mudar não mostram interesse. E tudo parece simples. Como dito na quinta-feira aqui, duas posturas mudariam o quadro eleitoral:
…desejáveis
bastaria que se estabelecesse a coincidência geral de mandatos: eleições de vereador a presidente da República no mesmo dia. Podendo até estender o mandato a cinco anos sem direito a reeleição. Nada de custosas eleições a cada dois anos! A outra medida saneadora, a obrigatoriedade de todos os partidos lançarem candidatura própria majoritárias, prefeito, senador, governador e presidente. Sem direito a coligações. Nada portanto de vender o espaço de rádio e tevê, por menor que fosse. Em duas eleições estaríamos reduzidos a 5 ou 6 partidos.
Salada de siglas
A salada de frutasa maioria estragada em que as eleições se transformaram no Brasil, depõe contra a nossa democracia. As uniões esdrúxulas mostram que mais importante do que cumprir um programa partidário é ganhar a eleição a qualquer preço. Mesmo os partidos que se anunciam éticos, caem na esparrela do acordo de ocasião. É só olhar as coligações e se encontrará alhos unidos a bugalhos
O novo, velho!
Uma das surpresas nas convenções finais realizadas no sábado que passou, último dia para as definições partidárias visando o 7 de outubro, foi a tomada de posição do novo PSD. Cedendo seu tempo recém adquirido (2 minutos) à coligação de Luciano Ducci mas liberando seus filiados para apoiar a quem quiserem. Mais PMDB que isso, impossível!
Em choque
Já se prenuncia um cenário de salve-se quem puder no julgamento do mensalão. Não será surpresa se acusações mútuas vierem a público, nas defesas dos 38 acusados em que, cada um com seu advogado, tentará tirar o corpo fora, mesmo que à custa de sacrifício de antigos parceiros nas malfeitorias. Já se anuncia que Zé Dirceu tentará safar-se atribuindo a seus companheiros de partido a responsabilidade pelas decisões.
