Imprensa calada
A América Latina vive um momento delicado. A democracia anda vacilando por aqui. Não bastassem as dificuldades políticas, as financeiras também rondam os países. Na Venezuela, a vitória de Maduro foi colocada sob suspeita. Isso por que a reversão só ocorreu nos últimos momentos da apuração, levantando suspeitas da oposição. Além do problema político, vive as dificuldades de um país que investe o lucro do petróleo, um bem finito e praticamente sua única fonte de renda, em programas sociais com objetivos políticos. A Argentina vive uma crise de credibilidade. A presidente tenta negociar o pagamento de apenas a metade da dívida, o que não é aceito pelos credores. Um fato recente é sintomático. Depois da apreensão de um navio da Marinha no exterior, por decisão judicial, a presidente Cristina Kirchner, ao viajar para a posse do Papa argentino Francisco, deixou o avião presidencial no Marrocos e seguiu viagem num jato particular, temerosa que ocorresse o mesmo que aconteceu com o navio. Não admira que hoje haja em quase todos os países latinos, uma preocupação em confiscar veículos de comunicação que, além de levar ao mundo tais problemas, denunciam situações de irregularidade. Uma imprensa manipulada serve aos interesses de grande número desses países, cujas administrações tendem para uma ditadura de esquerda. Aqui mesmo, a preocupação do PT, aprovada em reunião do Diretório Nacional, em criar regras para a comunicação, em realidade tenta esconder o fato de que, as grandes redes de comunicação, especialmente de rádios e TVs, estão dominadas. As milionárias verbas das estatais garantem uma atuação discreta de tais veículos, até na divulgação de situações escandalosas denunciadas pelos jornais independentes – especialmente a Folha e o Estadão que municiam os demais, e duas ou três revistas nacionais. Daí os jornais televisivos darem hoje mais ênfase ao noticiário policial, reservando minutos para a divulgação governamental, e pouquíssimo espaço à oposição.
Burrocracia?
De tão pequena a importância, R$ 10 milhões, o atraso em seu repasse justifica a impressão de que o Paraná continua discriminado. Essa verba, prometida em janeiro do ano passado pelo governo federal e que gaúchos e catarinenses já receberam, emperrou o programa de obras de emergência que aqui, em 81 municípios, construiria reservatórios de água para conter enchentes.
Recursos bem vindos
O mau tempo impediu a presença do governador Beto Richa em Palotina, para inauguração do hipermercado da cooperativa CVale. Foi representado pelo deputado Elio Rusch. Beto seguiu de Londrina direto para Foz, onde prefeitos ansiosos aguardavam a informação da distribuição de R$ 282 a fundo perdido. Recursos para aplicações urbanas e em estradas rurais.
Novos tempos
O detalhe adicional: parte desses recursos – R$ 150 milhões – será gerada pela economia implantada pela atual administração da Assembleia Legislativa e devolvida aos cofres públicos. É intenção da Mesa Diretiva presidida pelo deputado Waldir Rossoni, economizar até o final de seu mandato, nada menos que R$ 500 milhões.
Projeto retificador
Aprovado no Senado, o governo vai tentar impedir mas há fortes possibilidades de passar na Câmara o projeto do senador Paulo Paim (PT) que prevê a desaposentadoria. Isto é o direito de suspender a aposentadoria atual por quem voltou ao trabalho, recolhendo para o INSS. A nova aposentadoria que incorporaria as novas contribuições, geraria à Previdência um acréscimo de R$ 70 bilhões afirma o ministro Gilberto Carvalho. Daí a resistência do governo.
Em choque
Por outro lado, na opinião do especialista Renato Follador, que criou o Paraná Previdência, se o governo não devolver isso (as novas contribuições) ao trabalhador na forma de majoração da aposentadoria, estamos falando ou de apropriação indébita ou da cobrança de um imposto que não existe em lei. ara ele o suposto desequilíbrio da Previdência alegado pelo governo, é uma mentira.
