Indagações

As discussões que se trava entre situação e oposição, quando muda o cenário, são interessantes. Nos debates realizados na segunda-feira quando o governo do Estado, sentindo a dificuldade de criar a Funeas – Fundação Estatal em Saúde -, artifício legal para contratação de médicos sem concurso, forma do governo aumentar o efetivo sem onerar a folha de pagamento, próxima do limite prudencial determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal, deixou a votação para 2014 – quando se espera a discussão seja ampliada – um fato curioso: a presença de funcionários da Secretaria de Saúde, sindicalizados, protestando contra a privatização da área de saúde. Curioso porque, esses mesmos sindicalistas não viram nenhum problema na contratação de médicos no exterior, sem  concurso e sem qualquer exigência de comprovação de competência. Recebendo, segundo o contrato firmado especialmente com a Opas, salários melhores que os pagos aos concursados paranaenses. Segundo o Tribunal de Contas da União, valores que vão de R$ 10 mil a 30 mil. Verdade que a maior parte desse numerário, a se acreditar em informações vazadas mas  não confirmadas pelo Ministério da Saúde, não será destinado inteiramente aos profissionais. Vão beneficiar um velho parceiro ideológico. Onde estavam os que protestaram agora! Além do que, privatização, segundo o vocabulário petista, é o que o governo FHC realizou. O atual só faz concessões por 30, 35 anos, como no caso dos aeroportos e de estradas. Como se pudesse responder pelo que ocorrerá daqui àquelas datas. Ou será que pretendem permanecer no governo além dos 20 anos inicialmente previstos!

Saúde manietada

As informações correntes em relação à criação da nova Fundação, dão conta da necessidade de contratação de médicos para funcionamento de novos hospitais. Incorporá-los ao quadro funcional atual, com uma folha de pagamentos perto do limite, recebendo por isso, críticas da mesma oposição que hoje questiona o custo da folha, não é possível. Então, como fica!

Estilo Anibal

A criticar na sessão tumultuada de segunda-feira, a  técnica do governo deixando para a última semana de trabalhos na Assembleia, muitos projetos a serem votados ‘de afogadilho’, alguns realmente urgentes, outros nem tanto. Serve para  mostrar o quanto o estilo Aníbal Khoury fez escola.

Aos adversários, a lei!

Pelo mesmo raciocínio, em relação à reação sobre privatização da saúde, as PPPs que o governo Beto Richa pretende implantar, como forma de realizar obras necessárias que o governo não tem cacife para bancar, também serão bombardeadas pela oposição. Não importa que o governo federal esteja se valendo do mesmo expediente, justo ele que tem o caixa nacional nas mãos. O importante é evitar que ‘governo adversário’ realize alguma coisa. Daí o mau conceito que o povo tem hoje dos políticos.

Sonoridade perdida

Pelo mau desempenho da Petrobras nos últimos anos, com aumentos em cadeia que visam recuperar as perdas ocorridas, pelo represamento dos preços imposto pelo governo para conter a inflação, a palavra monopólio está ficando hostil até a ouvidos esquerdistas que a ouviam como música.

Um elogio raro

O aumento de taxa do Funrejus aprovado 2ª. feira, verba utilizada na construção e reforma de instalações  do Judiciário, vai incidir apenas em imóveis negociados com valor acima de R$ 490 mil reais. Vitória dos parlamentares. O que se espera é que sua aplicação seja em obras menos suntuosas do que costumam ser feitas. A propósito: o hotel cinco estrelas adquirido para sediar a PGE, numa história confusa, prova que órgão público não precisa de luxo e sim de praticidade  Lá, sobra um e falta a outra.

Reflexão

O dinheiro é como a política: mesmo quem não é seu escravo , depende dele para viver. Ninguém consegue ser totalmente independente. Assim, com tantas coisas  interligadas, dependendo uma das outras, para viver uma, tens que aceitar outra. Se quiseres ver um belo arco-íris, tens que aceitar a chuva.