Intervenção perigosa

Até quando isso pode dar certo! Depois de reunir secretários do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para lhes dar a sua visão de como a administração da capital paulista deve ser conduzida, agregando dividendos políticos ao PT, o ex-presidente Lula entra noutra jogada mais arrojada. Informações confiáveis indicam que pelo menos quatro ministros da presidente já foram convocados por ele, para avaliação do atual estágio do governo Dilma. Sob o pretexto de 2013 ser antevéspera de 2014, quando supostamente a presidente tentará a reeleição. Se o governo não deslanchar, ela não terá o que mostrar na campanha, preocupa-se Lula. No caso de São Paulo há uma justificativa. Ele gastou seu capital político para eleger Haddad e pretende que o PT tire dos tucanos o comando do estado. Sua notória experiência política e a vitória que obteve numa indicação de alto risco, de um ministro seu que não se destacara pelo sucesso no comando do MEC, o faz avalista do sucesso de Fernando. A intervenção que vem operando na administração de Dilma é diferente. Como em Haddad, Lula nela jogou todas as fichas. Ocorre que Lula tinha Dilma na retaguarda, cuidando da casa, enquanto ele fazia política, nacional e internacionalmente. Dilma não tem outra Dilma. E Lula pode dar conselhos políticos mas não terá sugestões administrativas a acrescentar. Não basta por exemplo,  reclamar: que governo é este que tem coragem de enfrentar o setor energético, e não tem coragem de enfrentar as corporações dos médicos, afirma ao se referir à  resistência oposta por corporações médicas à intenção do governo de permitir que médicos formados em outros países possam clinicar no país. Sem se lembrar que cada vez que um problema sério surgia nos seus mandatos, ele viajava para o exterior ou lançava um programa populista para desviar as atenções.

Voz do povo

A postura adotada pelo ex-presidente conflita com um dito popular: se conselho fosse tão bom, era vendido, não dado. Suas intervenções podem ter resultado contrário: desmoralizar as administrações de Haddad ou Dilma como incompetentes para ocuparem os cargos para os quais foram eleitos, ou passar a impressão de que pretende voltar. O que agradaria muito às viúvas do poder que Dilma despachou.

Novos desafios

A nova legislatura começa neste início de fevereiro com muitos desafios. Na área federal, onde ao final do ano anterior, sequer o Orçamento foi votado no Congresso. Discute-se muito o estabelecimento de regras para o financiamento de campanha. Sem cuidar do principal que é uma reforma política capaz de reduzir a corrupção que o atual modelo estimula.

Crítica válida

Tem razão o deputado federal Rubens Bueno (PPS) quando questiona o governo por não tomar nenhuma medida moralizadora em relação às eleições. Com quase 80% dos parlamentares em sua base, não coloca os projetos para o país como prioridade.

Resistência heróica

Na Assembleia, a Mesa reeleita para mais um mandato assumiu ontem. Encabeçada por Valdir Rossoni, sofre desde o final do ano passado pressão do Tribunal de Justiça para aprovar o aumento de taxas judiciais, criação de novos cargos de desembargadores e de cargos comissionados. Também o MP reivindica ampliação de cargos, sem concurso.

Irritação

Essa pressão irrita o deputado Tadeu Veneri (PT) que renega o recebimento de projetos desse tipo a poucos dias do fim do ano e sermos, de alguma forma, pressionados para aprová-los.

Em choque

Na Câmara municipal a situação não é diferente. O presidente Paulo Salamuni, anuncia medidas capazes de resgatar a credibilidade da Casa, arranhada por escândalos, frutos de  gambiarras administrativas (a expressão é dele). Precisa ainda socorrer o prefeito Gustavo Fruet que pede crédito suplementar para fazer frente a altas dívidas deixadas pela administração anterior, não aquinhoadas no orçamento de 2013.