Jogada de risco
Os observadores mais atentos da política nacional já terão detectado isso: a intensa e aparentemente livre atividade da Polícia Federal. Levantando escândalo, após escândalo. Como esse agora, denominado Operação Porto Seguro, que já está chegando inclusive ao ex-presidente, pelos 122 contatos telefônicos feitos com Rosemary Noronha, depois que deixou o governo. Por vezes acusada pela oposição de cumprir ordens do governo, subordinada que é ao Ministério da Justiça, a PF em outras, passa a impressão de tentar criar problemas para o período anterior, provocando-lhe vários constrangimentos e desgastes, o que de certa maneira reforça o interesse dos atuais governantes. Mas não se trata de governos do mesmo partido desde 2003?, perguntará o leitor menos afeito aos jogos do poder. Claro que sim! Ocorre que nesse jogo, Rei morto, Rei posto! Salve o novo Rei (ou Rainha)! Especialmente por dentro dos partidos políticos ocorrerem disputas permanentes pelo comando. Como agora no PMDB paranaense, com três correntes (reduzidas a duas) defendendo interesses completamente opostos. Enquanto os deputados estaduais procuram comandá-lo, para um envolvimento ainda maior com o governador Beto Richa, em troca de um suposto apoio em 2014, acordo esse para o qual os companheiros de primeira hora do governador, exceto alguns que tem interesses futuros a defender, torcem o nariz. Uma jogada de alto risco para Beto, se Requião, mesmo não ganhando aqui, assumir como previsto a vice-presidência nacional do PMDB. Poderá vir de cima a ordem para apoiar a candidatura própria ao governo estadual – no caso a dele mesmo – ou então serem obrigados a acompanhar o partido no apoio à reeleição de Dilma, compromisso que os peemedebistas de alto coturno já anteciparam em Brasília.
Aplausos afinal
Ao tempo em que a comitiva formada pelo secretário-geral da FIFA, Jérome Valche, pelo ministro Aldo Rebelo, o prefeito Luciano Ducci, e o secretário da Copa, Mário Celso Cunha, acompanhados pelos ex-craques Ronaldo e Bebeto (estes mais tietados que as autoridades) apontavam as obras da Arena da Baixada como perfeitas, na CPI da Assembleia o presidente do Tribunal de Contas fazia algumas ressalvas ao projeto curitibano da Copa.
Pequenas diferenças (!)
As afirmações de Fernando Guimarães são menos otimistas que as apresentadas pelos dirigentes atleticanos e autoridades municipais, em relação às obras a serem completadas em Curitiba. Inclusive com uma delas já retirada do programa por um erro de orçamento: enquanto pela previsão inicial custaria R$ 130 milhões o valor apontado pelo TC não será menos de R$ 400 milhões.
Opiniões divergentes
Como sempre acontece no Brasil, mais das vezes por desvios puro e simples, os atrasos verificados nas obras, segundo o presidente do TC, mesmo que feitos com seriedade absoluta, deverão ter seus custos aumentados. Até porque a crise de mão de obra no setor imobiliário, aponta para esse encarecimento. De todo modo Fernando Guimarães, promete acompanhar de perto o desenvolvimento dessas obras exigidas pela FIFA, no entorno do estádio e em pontos-chaves para a mobilidade urbana. Até por que, tem dinheiro público na Arena.
Em choque
Governo ou agiota: o governador Beto Richa cobrou na reunião do Codesul (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande e Mato Grosso do Sul), a revisão das dívidas dos estados com a União. A dívida original era de R$ 9,5 bilhões. Já pagamos 5,5 e devemos outros 9 bi. Isso não acaba nunca, reclamou. Faltou lembrar que enquanto isso o Estado deixou de receber desde a Constituição de 88, algo em torno de R$ 600 milhões ano, pela energia produzida aqui e taxada no consumo (alí fora).
