Leis e salsichas

Uma frase atribuída ao antigo primeiro ministro inglês Winston Churchil, até hoje é citada: Leis e salsicha é melhor que o povo não saiba como são feitas. A frase poderia hoje, no Brasil, receber alguns acréscimos: Leis e obras mal projetadas é melhor que o povo não saiba como são feitas. A coluna nem se refere a valores embutidos estranhamente nos orçamentos, popularmente chamados de propina. Que fazem a alegria das grandes empreiteiras. Cita como exemplo as usinas de Jirau e Sto. Antônio na região amazônica, contestadas pelos ecologistas e que apresentam erros inconcebíveis, como levantou o repórter Daniel Rittner do Valor Econômico. Faltou compatibilizar os equipamentos de segurança. Com isso, tais usinas, projetadas para gerar 6.400 MW (depois, Jirau foi alterada e aumentou sua capacidade) pela tal falta de compatibilização não vão poder distribuir mais que 1.100 MW, sob risco de queimarem suas turbinas. Não é inacreditável! Isso, além dos custos. Inicialmente (maio de 2008) calculados em R$ 20 bilhões. Em 2011 já tinha ido para R$ 28 e está terminando em mais de R$ 30 bi. Agora, com a conclusão das obras no final do ano, falta resolver também outro probleminha. Com a usina Sto Antônio iniciando a operação de algumas de suas 44 turbinas, não há como escoar a energia produzida: faltam as linhas de transmissão. O detalhe sutil foi o Ministério de Minas e Energia, as empresas, o Operador Nacional do Sistema (ONS) e a Agência Nacional de Energia Elétrica Aneel), fiéis à filosofia de Churchil,  nunca terem dado conhecimento (ao povo) desses problemas. Só agora a Aneel registrou preocupação, depois de receber correspondência da ONS, informando que os sistemas de supervisão e controle de usinas e do controle de transmissão não são compatíveis.  Enquanto esses pequenos detalhes são corrigidos valeria informarem aos brasileiros, quem responde por esses erros! Ou vai ficar tudo na conta  da mãe do PAC?

Especulação nacional

Nestes minutos finais do segundo tempo, para usar uma imagem esportiva, quando o tempo de mudanças partidárias chega ao fim (5 de outubro), volta-se a falar insistentemente na possível saída de Álvaro Dias do PSDB. Estaria sendo cogitada uma candidatura sua a presidente da República, por uma coligação de pequenos partidos liderados pelo PV. Pela projeção nacional que tem hoje e  as notórias dificuldades de convivência com o tucanato paranaense, a especulação adquire foro de verdade.

André pitonisa Vargas

A  suposição levantada pelo deputado André Vargas, Gleisi Hoffmann deixar a Casa Civil em janeiro para cuidar de sua eventual campanha ao governo do Paraná, foi logo descartada por ela e pelo marido Paulo Bernardo. Pelo jeito só tem duas pessoas no Brasil que sabem disso (como será a reforma ministerial)- A Dilma e o André (Vargas), ironizou Paulo Bernardo.

Instabilidade

O fato concreto porém é que a situação de Gleisi no cenário nacional já não é a mesma de antes dos protestos populares. Com o governo ficando sem rumo, logo após junho e o impacto das manifestações, Gleisi e Ideli Salvatti (até o publicitário João Santana balançou ) tiveram suas condições de conselheiras da presidente contestadas dentro do próprio PT. A influência de Fernando Pimentel e Aloisio Mercadante junto ao Planalto tornou-se mais visível. A sua saída para a disputa ao governo do Paraná passou a ser opção.

Em choque

Embora o governo vá tentar no Senado alterar o texto da PEC do Orçamento Impositivo, o resultado de 378 votos favoráveis e apenas 48 contrários, prova que a tese que praticamente garantira a eleição de Henrique Alves à presidência da Câmara Federal era desejo da maioria. Ideli Salvatti bem que tentou mudar: pelo menos garantir 30% de emendas ligadas a projetos do governo. Sem sucesso. A tese do fim do toma lá – dá cá de Alves, prevaleceu.