Levar é o que importa!
Depois de cada eleição sobram risos e mágoas. Risos dos que venceram, embora com coligações que num país de democracia séria, não seriam aceitas. Parafraseando Vinícius de Morais, uniões políticas que sejam eternas enquanto durem. Normalmente as divergências começam antes da posse. É a dificuldade para dividir o bolo do poder. As mágoas em contrapartida vão se prolongar até que as divergências do outro lado justifiquem o inefável eu não disse! O que fica patente agora, especialmente em municípios onde o segundo turno ocorre, capitais como Curitiba onde o candidato oficial, com o poder municipal na mão e apoio total do estadual perdeu a eleição, é quão pouco controle os partidos têm sobre seus principais filiados. Deputados, vereadores (eleitos e derrotados) da poderosa coligação que engrossou o tempo de rádio e TV de Luciano Ducci, apressam-se em manifestar apoio a uma das candidaturas sobreviventes, na esperança de comer fatia do novo bolo que vai ser servido. Sem mesmo consultar seus dirigentes partidários. Rafael Greca por exemplo, tenta negociar alguma sobra do banquete que Requião se apressou em servir a Ratinho Jr., em nome de um desestruturado PMDB. No cenário nacional não é diferente, especialmente em São Paulo. Sendo que lá, o que se ofereceu como negociador – uma palavra que se esperava estivesse em desuso quando o mensalão está sendo julgado – foi o supostamente licenciado presidente nacional, vice-presidente Michel Temer. Cumprindo uma tradição desse partido que, desde a ascensão à Presidência da República via um ex-pedessista, José Sarney – criando o trauma dos vices – está sempre à mesa principal dos banquetes pela habilidade de seus dirigentes que sabem: em matéria de eleição mais importante do que ganhar, é adonar-se do poder.
Atenção redobrada
Eleição, julgamento do mensalão e seus principais implicados, tudo isso desviou a atenção da CPI do Cachoeira. Um projeto que o PT apoiou, numa das jogadas de Lula para confundir, qual um Chacrinha da política. De nada valeu: com gente como Zé Dirceu, Genoino e o Delúbio em julgamento, as atenções ficaram onde Lula não queria.
Pérolas
Dos votos proferidos na sessão de terça-feira, algumas pérolas. Como a do ministro Marco Aurélio Mello: Apontar Delúbio como bode expiatório, como se ele tivesse autonomia suficiente para levantar milhões e distribuí-los, ele próprio definindo os destinatários, sem conhecimento da cúpula do PT? A conclusão subestima a inteligência mediana.
Incoerente
Pela sua origem como ex-funcionário de Zé Dirceu, Dias Toffli que deveria dar-se por impedido, inocentou o ex-patrão. O único depoimento em juízo que citou José Dirceu foi de Roberto Jefferson. E esse é daqueles casos em que os réus e corréus ficam quietos. Todo mundo falou e falou muito, disse. Ele ignorou no seu voto as reuniões de Dirceu com Marcos Valério e dirigentes do Banco Rural.
Voto exemplar
A ministra Carmem Lúcia mais uma vez deu voto exemplar: Acho estranho e grave que uma pessoa diga (como advogados de defesa disseram): ‘Houve caixa dois’. Ora, caixa dois
é crime, é uma agressão à sociedade brasileira. E isso não é pouco. Me parece grave, porque parece que ilícito no Brasil pode ser realizado e tudo bem.
Desagravo!
O PT nacional prepara um desagravo a José Dirceu, afirmando que ele tem história, por ter sido banido do país e depois lutado pela redemocratização. Certo! Esquecido porém de que, quem tem nome precisa zelar por ele. Políticos só são respeitados enquanto têm comportamento exemplar.
Em choque
Frase de Dora Kramer ao comentar a disputa que se faz em torno de Celso Russomano em São Paulo e seus 1,3 milhão de votos. Seu apoio é disputado mas sem alarde. Ele, nessa campanha lembra o segundo turno da eleição em que a candidata do PV fez 20 milhões de votos. Para Dora, Russomano é uma espécie de Marina Silva com sinal trocado.
