Lição a ser aprendida

A preocupação em relação ao fracasso da petrolífera  de Eike Batista, até tempos atrás apontado pelo próprio governo como exemplo do empreendedorismo brasileiro, a ponto de merecer atenção especial do BNDES, é com o reflexo do pedido de recuperação judicial feito pela OGX junto a investidores internacionais. Qual um camelô, esse empresário vendeu ilusões aos borbotões. Com projeções públicas, de início excessivamente aplaudidas, e não confirmadas. De tal modo foi valorizado em seu sonho de grandeza, com apoio  do governo e omissão da Comissão de Valores Mobiliários, que as ações da OGX que chegaram a valer R$ 22,90, no último pregão, antes de ser suspensa, valiam R$0,17. Há mais problemas na medida em que o estaleiro OSX, criado pelo mesmo Eike para fornecer à petroleira, é hoje um de seus maiores credores. Caberá agora à Justiça definir se aceita ou não a recuperação judicial proposta. Caso contrário, a falência e a desmoralização de um empreendedor que prometera se transformar no homem mais rico do mundo. E que viu sua fortuna pessoal despencar dos estimados US$ 34 bilhões de dólares para US$ 70 milhões. Provocando um efeito cascata em outras empresas, como a própria OSX, cuja dívida com o BNDES é de R$ 500 milhões, mas acima de tudo, um descrédito nas perspectivas do país, em relação ao capital estrangeiro. Inclusive mostrando ao governo que, não se cria símbolos de campeões, como o BNDES tenta fazer com outros investidores, com seus capitais alavancados por esse e demais bancos públicos. Eike, ainda se sairá bem pessoalmente. O Brasil é que fica mal. Inclusive com suas autoridades que não aceitam com realismo análises como as feitas recentemente pelo FMI, devendo explicações através seus bancos oficiais, hoje pendurados no pincel das promessas eikeanas.

Teoria…

Tem razão o deputado Douglas Fabrício (PPS) ao discursar criticando a Agência Brasil, órgão oficial de comunicação do governo federal, que divulgou a presença da presidente Dilma em Curitiba para anunciar recursos à mobilidade urbana, inclusive o metrô. Diferente do discurso da presidente que se referiu  à soma de esforços,  a Agência, ao não citar a participação do governo do Estado, da Prefeitura curitibana na iniciativa, capitalizou apenas ao governo federal os recursos e as obras.

…e prática

A reclamação do parlamentar  em relação ao cerimonial da Presidência, ao não convidá-lo para o palanque, quando da visita da presidente a Campo Mourão, cidade-base do parlamentar, também procede. Fugiu ao que prega Dilma: exemplo de boas relações republicanas e cidadania.

Ridículo

Especialista em criar fatos de repercussão, por vezes grotescas, o vereador curitibano Professor Galdino, que se diz ambientalista, sugeriu que humanos como ele pudessem servir a experimentos em laboratórios de pesquisa, no lugar de animais. A oferta foi considerada sem sentido pela presidente da Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba.

Em viagem

Para apresentar a setores americanos o potencial econômico do Paraná, o governador Beto Richa viaja ao EUA durante 10 dias. Parte com a expectativa de que na sua ausência confirme-se o compromisso da Secretaria do Tesouro Nacional de liberação dos empréstimos nacionais e internacionais, pendentes do aval do órgão.  A certeza de que esses valores serão liberados, baseia-se no compromisso público da presidente Dilma em sua visita da terça-feira, para anunciar aqui verbas de mobilidade urbana.

Em choque

Enquanto o governo do Paraná aguarda essas liberações, a  relação dos 25 estados e Distrito Federal que receberam aval do Tesouro Nacional para recursos do Programa de Apoio ao Investimento de Estados e do DF (Proinveste), criado para combater nos estados a crise financeira internacional,  num valor total de R$ 20 bilhões, comprova o que sempre se disse aqui: a discriminação do Paraná. Este estado foi o único ainda  não aquinhoado nessa linha de financiamento. Foram pedidos R$ 817 milhões.