Lição para o futuro
Ao discorrer sobre educação, seu tema favorito de vez que é mestre, tendo inclusive ocupado a Reitoria da Universidade de Brasília, o senador Critstovam Buarque faz uma afirmação preocupante: O Brasil foi reprovado no vestibular para o futuro. Porque o futuro tem a cara de sua escola no presente. Esse preâmbulo serviu para que ele destacasse algumas da incoerências da educação no país. Especialmente analisando a má qualidade do ensino público que recebeu, na média do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), área em que estuda a maioria dos alunos, preocupantes 3,9. Mesmo com as também pouco notáveis médias das particulares, 6, a média ponderada é de 4,1, num universos de 1,8 milhão de privadas e 12,4 de públicas. Aí entra também a desigualdade entre pobres e filhos de classes médias e altas. Até por que no IR, os gastos de educação em até R$ 4 bilhões são deduzidos. Mesmo tendo investido R$ 55,3 o governo federal não tem o que comemorar, ao contrário de nota divulgada pelo Ministério da Educação, cujo ministro está há apenas oito meses no cargo. Se comparado com países que tem seu recente desenvolvimento calcado nos investimentos maciços em educação, estamos muito aquém.
Antes de cantar vitória como o fez o MEC, deveria alertar a nossa presidente que tem demonstrado grande e oportuna preocupação com os rumos da economia, neste mundo em crise, que também a educação, tanto quanto a saúde e a segurança, estão a exigir maiores atenções. Curioso é notar que o período Lula, que conseguiu inserir milhões de pessoas em outra categoria social, esqueceu-se de que as exigências dos ascendentes, que antes não tinham acesso a nada, passam a ser diferenciadas. O crescimento deveria ter sido igual em todas as áreas, não apenas na social. Como bem lembra a sabedoria popular, nem só de pão vive o homem.
Justo eu!
Um fato curioso ocorreu no horário eleitoral dito gratuito. Justo no espaço destinado ao Rafael Greca (PMDB!) que já tem o menor entre os principais partidos. Um minuto e meio do seu foi ocupado por uma estranha transmissão de gols do campeonato brasileiro de futebol. Para os amantes do esporte uma glória que precisou ser explicada pela Band, que no dia transmitia o horário eleitoral. Falha nossa explicou a emissora. Deve ter dado mais voto ao Rafa que o programa normal político.
Retribuição à sociedade
À tese educacional defendida pelo senador Cristovam, descrita acima, poderia se acrescentar outra. Como há carência, especialmente nos pequenos municípios de profissionais, ao invés do serviço militar, os formados em universidades gratuitas deveriam dedicar um ano de suas vidas profissionais a prestar serviço nesses municípios menos assistidos. Forma de pagar a sociedade que bancou seus estudos. Ainda mais que o serviço militar obrigatório, tanto quanto o voto idem, não condizem com o regime democrático.
FOLCLORE POLÍTICO
Hoje, uma história diferente. Nada risível. Quando se discute a criação de um tipo de aposentadoria especial para os parlamentares, surgem as opiniões discordantes, entendendo que tais brasileiros não deveriam ter acesso a esse benefício. Para que isso seja aceitável é preciso então acabar com o direito à reeleição. Um político reeleito por várias vezes, perde o retorno à sua antiga profissão. Deputados que ficam por mais de 20 anos na AL, ou na Câmara Federal, tem direito sim a uma aposentadoria. Cito a propósito a história de Emílio Carazai a quem tive o privilégio de conhecer. Disputando mais uma eleição, ele que já estava na Casa há 20 anos, confessou: Não tenho como voltar a Cornélio Procópio (de onde viera como prefeito, depois de exercer a medicina quase caritativa). Estou superado como médico. Sem condições de reiniciar uma carreira em que fui muito bem sucedido. Preciso continuar como deputado, onde ainda sou útil. Outros casos como o de Carazai, existem e precisam ser considerados.
