Lições da História

As inúmeras manifestações ocorridas durante o 31 de março, quando se rememorava os 50 anos do golpe que conduziu o país a uma ditadura, parece não terem sido entendidas pelo governo em sua real extensão. O país expressou, cinqüenta anos depois, repúdio  às medidas de intolerância, representadas pela repressão violenta aos que defendiam outras posições ideológicas, mas aprovava  em sua maioria, medidas que detivessem a crescente corrupção que emergia da área pública. Restabelecido o regime democrático, ainda incipiente pelos vinte e um anos de sufoco cívico e com grande parte dos que passaram incólumes pelo regime anterior, de novo em ação, o modelo e métodos anteriores a 1964 vêm paulatinamente tomando espaço. A corrupção grassa em várias áreas, em verdadeiras parcerias público/privadas. É chegado o momento de os atuais governantes, muitos dos quais participaram da luta armada, única alternativa encontrada por eles para se oporem ao regime, de mostrarem a que vieram. Os mais antigos, que viveram as duas épocas, pré e durante o regime ditatorial, sabem que o grande equívoco da revolução, utilizada pelos militares que  sempre foram participantes ativos da política brasileira (vide os livros de Laurentino Gomes) e não guardiões da soberania nacional como deveriam, ao tomarem o poder, foi lutar contra apenas uma suposta ameaça comunista, quando o grande cancro nacional era a corrupção. Jango foi deposto por  estar preparando uma abertura para a esquerda, justificaram à época. Hoje a esquerda domina politicamente e não comprovou ainda a postura econômica que anunciava,  competente e moralizadora. Ao revés! Mostra condescendência com outros regimes já quase de exceção que dominam a vizinhança nacional e até protege companheiros envolvidos em situações anômalas. Apoiar uma investigação que reponha nos eixos a empresa que sempre foi  orgulho nacional, será a oportunidade de mostrar que aprendeu as lições da História. Transparência é a palavra que trará de volta a credibilidade da Petrobras, profundamente abalada.

Simples leitora

A senadora Gleisi Hoffmann está mal orientada. Ao assumir diariamente a condição de defensora do governo do qual acaba de se desligar, atropela o líder do governo no Senado e não acrescenta ao currículo que pretende apresentar ao eleitorado do Paraná, ideias próprias que emergem nos debates e não da leitura de  discursos  escritos por um ghost writer (assinados por outrem). Além do que, ao discurso lido falta a emoção que sobra no bom debate.

Oratória em baixa

Verdade que o Congresso brasileiro anda carente de bons debatedores, presenças  que sempre pontuaram outros momentos da vida política nacional. No Senado, um dos bons nomes nessa área continua sendo o senador Roberto Requião, agora meio em recesso num PMDB que não sabe para que lado vai! Situação parecida com a de um grande orador paranaense, Rafael Greca, que ao mudar de lado, perdeu o discurso.

Erro estratégico

A possibilidade real de Sílvio Barros, com seu partido nanico, somar-se ao Pros da cunhada Cida Alborghetti e ao PP, do irmão Ricardo, viabilizando sua candidatura ao governo, cria um problema para Beto Richa. Perde  minutos de TV, além do apoio de uma família que durante seu governo foi prestigiada. A ponto de ser Ricardo lançado ao Senado, prejudicando segundo analistas, uma possível vitória de Gustavo Fruet sobre Requião, o que mudaria  a situação atual. A pretensão de Barros, ao fundo, reforça a pressão pela escolha da deputada Cida, para a vice de Beto.

Jogo duro

A situação de Barros, se afastar-se de Beto, equivale ao prejuízo  que o PMDB também pode causar, se  o Diretório nacional determinar uma posição não desejada pelos deputados do partido, em nível estadual. Uma troca que nacionalmente,  em função de ameaças de CPIs,  aumenta a pressão do PMDB sobre o governo Dilma, voltando a ter importância no cenário pré-eleitoral em que a ameaça de domínio do PT ficava mais intensa.

Em choque

O prazo está se esgotando e às 15,55 horas de ontem o gabinete de Osmar Dias,  no BB, ainda fazia segredo: que postura terá ele neste 2014?