Má vontade demais; memória de menos
O Paraná vive uma situação surrealista. Quando tudo parecia caminhar para a tranquilidade financeira, com a regularização das pendências que impediam o governo do Estado de ter acesso aos empréstimos anteriormente negociados, em especial os R$ 817 milhões do Proinveste que Beto provou à presidente Dilma, só o Paraná não ter recebido, abrindo espaço a uma determinação desta à Secretaria do Tesouro Nacional para que o repasse fosse feito, mais um empecilho. Desta vez Beto não pode atribuir a intervenções dos três ministros paranaenses. Quem provocou o novo atraso foi o senador Roberto Requião, informando à Secretaria irregularidades nas contas do seu Estado. Especialmente na ParanaPrevidência. Por sinal que pela segunda vez, já que a primeira ocorrera no governo de Jaime Lerner, quando os três senadores do Paraná, Requião entre eles, retardaram o quanto puderam um empréstimo japonês destinado à Sanepar. A ironia foi Requião, em seus governos, ter-se beneficiado do referido. Faltou porém à equipe do governador Beto Richa, ao invés de ficar se lamentando em entrevistas a rádios, apontar um fato que o colunista, revendo seus arquivos, rememora. No dia 24 de outubro de 2010, dois meses antes do vice Orlando Pessuti passar os mandatos de Requião, que ele encerrava, a Beto Richa, a ParanaPrevidência vivia dificuldades financeiras. Rombo causado, segundo relatório do Tribunal de Contas, pelo próprio governo. Verdade que Requião recebera de Lerner, que implantou o novo modelo previdenciário, substituindo ao arcaico IPE, uma situação delicada com R$ 1,1 bilhão de déficit. Causado pelos não repasses que o governo deixara de fazer, cumprindo determinação legal. Oito anos depois, sem repassar igualmente as cotas-partes do governo do Estado à PrPrevi, a conta entregue pelo governo Requião a Beto foi de R$ 3,204 bilhões. A pergunta que cabe: que moral tem o hoje senador para fazer a denúncia que fez?
Novas…
O governo da presidente Dilma tem razão em se preocupar com o assunto. De início aparentando ter pouca relevância, os rolezinhos, forma de reunião marcadas por jovens para ocorrerem nos shoppings, a exemplo das marchas programadas em junho, aos poucos vão se transformando em fenômeno de massa que podem se tornar incontroláveis.
…manifestações
Esses episódios, agora que a violência policial marcou presença, tendem a se multiplicar. Isso num ano de Copa, em que outras manifestações já estão sendo anunciadas, provocou uma reunião da presidente com vários de seus ministros responsáveis pelas áreas de segurança e de esportes.
Momento propício …
As pressões que os governantes sofrem em anos eleitorais já foram analisadas aqui.
Até companheiros de ontem já fazem exigências, algumas descabidas. Uma das certezas da coluna acaba de se confirmar. O poderoso mas indefinido PMDB, sempre à procura de mais benesses, já ameaça deixar o governo Dilma, se suas reivindicações não forem atendidas.
…a chantagens políticas
Ruim para o PT, se eventualmente deixarem a confortável vice-presidência para procurar arrimo em outra frente, na medida em que não passa pela cabeça de seus dirigentes a candidatura própria que desde Quércia, não prospera, melhor para outros candidatos: ou Aécio ou Eduardo Campos. A quase certeza porém é de que a ameaça não passa de uma chantagenzinha momentânea, em busca de novos e fortes ministérios.
O que pode redundar num prejuízo para candidaturas regionais como a de Beto Richa, que tem o PMDB como aliado por conveniência.
Em choque
Com o atraso na construção de creches, só 22% das 6 mil prometidas, o governo da presidente Dilma está utilizando o Regime Diferenciado de Contratação, que permite obras com menos exigências burocráticas. Menos mal que seja para a construção de creches, extremamente necessárias num país em que o trabalho feminino externo é hoje uma realidade. Motivo mais nobre que a razão que levou à implantação do RDC: as obras da Copa atrasadas.
