“Madiba”

A semana terminou agitada  ainda por episódios ocorridos na área do mensalão, as prisões, e as tentativas de driblar (o termo cabe já que estamos sob efeito do sorteio da Copa) o STF, com soluções estapafúrdias por parte dos importantes mensaleiros, agora presos. Começaram por não respeitar o regime de visitas aos clientes permanentes da Papuda, gerando descontentamento entre familiares daqueles. Agiam como se os privilégios a que fizeram jus enquanto no poder, tivessem continuidade; depois vieram as estórias de empregos, de gerente de hotel  bem remunerado (mesmo sem experiência no ramo) para Zé Dirceu e na CUT, para Delúbio; além dos problemas de saúde alegados para cumprirem penas em casa. Criando na opinião pública a sensação de que na democracia  brasileira, uns se julgam brasileiros diferenciados..A par das preocupações com os problemas vividos em mais esta semana pelo Atlético que, com a nunca negada esperteza de seu presidente,  imaginara terminar seu estádio com boa parte de dinheiro público. Esquecido que a mudança na prefeitura, com o afastamento do governador e do prefeito, as coisas, especialmente pela situação financeira de prefeitura e governo poderiam se complicar. Como de fato complicaram-se. Ainda mais agora com o sorteio indicando jogos inexpressivos para Curitiba. Será que os investimentos, alguns novos e pesados, sem efeitos duradouros, justificam-se, a maioria perguntará! O fato significativo da semana foi a triste notícia que enlutou o mundo: o fim da agonia de Nelson Mandela. Aos 95 anos, Madiba, como era carinhosamente conhecido, que conquistou o respeito do mundo, passa desta vida para a História. 

Jogos sem apelo 

Só o fanatismo pelo futebol, a vontade de conhecer como ficou a Arena da Baixada, ver o futebol da Espanha (não confundir com Barça ou Real Madri) e eventuais curitibanos que tenham, mesmo que remota origem na Rússia, Equador, Honduras, Irã, Nigéria e Argélia, poderão colocar algum público nesses jogos sorteados para Curitiba. Pelo jeito, até turistas desses países não serão encontrados com facilidade. Ainda se fosse Alemanha ou Polônia…

Justiça tardia 

O choro de  Valdemar Costa Neto (PR-SP) em sua carta-renúncia, passa ao leitor menos avisado a impressão de uma tremenda injustiça cometida contra ele pelo STF. O Legislativo tem o dever de (tomar) providências enérgicas, sobretudo quando sua autonomia é questionada por circunstâncias de patrocínio inconfessável, lamuriou ele. Esquecido de que, em 2005, quando o mensalão estourou, renunciara para não perder seus direitos políticos. Direitos que o reconduziram a novo mandato na Câmara, para ser julgado agora pela mesma maracutaia.

Protesto seletivo 

Já são dezesseis os presos, condenados pelo mensalão, e um foragido. Alguns deles, pertencentes ao PT vão ser homenageados pelo partido, sob a alegação de que são presos políticos. Curiosamente, presos políticos, num período em que o partido manda no país. O detalhe da sessão/desagravo que só privilegia os presos filiados ao partido: se o mensalão não existiu, como alegam, injustiçados também são os outros, especialmente os publicitários e os dirigentes do Banco Rural. Por que não estender a eles o protesto!

De fora!

O interessante dessa sessão de desagravo que o PT vai realizar é a preocupação de nele não envolver a presidente Dilma Rousseff, por ser chefe de um Poder e não dever contestar decisão de outro; igualmente deixará de fora o ex-presidente Lula, que prometera ao deixar o governo, empenhar-se em provar que o mensalão não existiu. O não cumprimento da promessa criou mal-estar entre ele e o desamparado José Dirceu, deixado à própria sorte.

Em choque

Juntando moedas: ano chegando ao fim e o governo federal  ainda precisa economizar R$ 39,6 bilhões para cumprir a meta de superávit fiscal (economia para pagar os juros da dívida pública) de R$ 73 bilhões, sem necessitar mudar a LDO ou recorrer a manobras contábeis.