“Mea culpa”

Dentre as curiosas alternativas ocorridas no debate sobre a segunda  abertura dos portos (a primeira oorrida em 1808, com D. João VI), sem os interesses de agora que arregalaram os olhos de deputados acostumados às verbas de  Centrões e Mensalões, talvez a mais curiosa tenha sido a definição da prioridade. Num cenário de infraestrutura absolutamentre precária, começaram pelo fim: os portos. Ponto de partida especialmente da produção agropecuária. A grita dos interesses de grandes empresas foi maior que os reclamos sem ressonâcia dos produtores das novas fronteiras agrícolas do país. Se para gente que faz a safra de soja, milho e outros que tais atingir volumes antes insuspeitados, por preços 50% inferiores aos de concorrentes internacionais em regiões bem servidas pelo menos de rodovias, o custo Brasil é altíssimo, fazendo com que suas produções quase percam competitividade nos meios de transporte, imagine-se para quem produz no interiorzão dos Matos Grossos, Goiás. A primeira preocupação do governo foi mudar o regime dos portos, de forma precipitada, abrindo-os aos Eikes, Odebrecht e outros interessados. Tudo correto na intenção. Errado na forma. Obrigando inclusive o presidente da Câmara e o do Senado a uma submissão vergonhosa. Com um mea culpa de Renan Calheiros obrigado a aprovar em horas o projeto, sem que sendores tivessem acesso ao texto: Essa anomalia instituicional não vai continuar. Ela apequena o Senado, afirmou, esquecido que, como ensina o povo (e o governo acostumou-se a isso), porteira por onde passa um boi, passa a boiada. Também o presidente da Câmara agora promete acelerar o projeto que torna obrigatório o pagamento das emendas parlamentares. Evita-se assim o poder de manipulação que mais uma vez o governo exerceu (sem pudor) sobre os parlamentares. Mais importante: já que se começou pelo fim, que se regulamente os outros meios que compõem a infraestrutura brasileira: que venham rodovias duplicadas, hidrovias e pincipalmente ferrovias, com a mesma pressa.

Homenagem solitária

Hoje às 10 horas, a Câmara Federal homenageia em Brasília os 100 anos da nossa (primeira e única) Universidade Federal do Paraná. Proposição do deputado Rubens Bueno (MD). Momento para se relembrar o quanto o Paraná foi maltratado desde então. Dez por cento das folhas de pagamento do orçamento estadual, destinam-se a manter as universidades estaduais que o estado é obrigado bancar para suprir o abandono federal a que foi relegado. Assunto para a ministra Gleisi Hoffmann avaliar e pensar.

Só aqui!

Quando se discute hoje as dificulades criadas ao Paraná para habilitar-se a empréstimos nacionais e internacionais, o argumento contrário são os gastos com folha de pagamento que ultrapassa o limte prudencial, alegam inclusive os ministros do estado que hoje compõem o governo. Esquecidos desse detalhe: Minas, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, para só citar os mais aquinhoados, são abonados com inúmeras universidades bancadas pelo governo central.

Memória

O Paraná, em seu período de maior expansão (anos 40, 50, 60) viu-se obrigado (governo Paulo Pimentel com Cândido Manoel Martins de Oliveira em sua Secretaria de Educação) a implantar as três primeiras universidades estaduais: UEL (Londrina), UEM (Maringá) e UEPG (Ponta Grossa). Outras vieram depois, onerando o estado em quase R$ 1 bi anuais. Ainda que já tivemos dois Ministros da Educação e agora, três ministros de grande prestígio.

Em choque

Outros prejuízos o Paraná tem tido. Pela Constituição Cidadã (de 88) a energia aqui produzida, à custa de sacrifício das terras alagadas ( inclusive terra roxa para o lago da Usina Capivara de Porecatu), das produções perdidas e das populações ribeirinhas expulsas, recolhia ICMS na fonte de consumo: prejuízo à época de mais de R$ 600 milhões anuais. Pagaria com juros a dívida do Estado, hoje cobrada pelo governo central a juros de agiota. Gaúchos, catarinenses, nordestinos, quando detém poder atendem seus estados. O paranaense envergonha-se de fazê-lo!