Mérito a quem tem

Esta coluna tem criticado com freqüência a falta de comprometimento de políticos paranaenses com o Estado, quando assumem cargos de relevância no cenário nacional. Talvez isso tenha origem na formação do Paraná que o saudoso professor Bento Munhoz da Rocha Neto classificou como o cadinho do Brasil. Todos vem para cá mas, em seus corações, dividem o Paraná com suas origens. Mais que todos os outros estados, o Paraná foi formado por gente de origens diversas. Imigrações coordenadas pelos governos de época, para aqui trouxeram alemães, poloneses, italianos, japoneses, ucranianos, holandeses, além de outras imigrações naturais. Também a migração que trouxe gaúchos e catarinenses para sudoeste, oeste e noroeste, inclusive dali subindo para conquistar e abrir novas fronteiras agropecuárias do Brasil; com paulistas e mineiros conquistando o hoje poderoso norte do Paraná, implantando a cultura do café, fonte do crescimento e fortalecimento da região, estendendo-se por todo o sul do estado na medida em que contribuiu para o fortalecimento de Curitiba e Paranaguá. A estrada do Cerne, construída pelo governo de Manoel Ribas, foi de vital importância para isso.

Todo esse intróito cabe, no momento em que um deputado federal com vínculos ao norte do Paraná, dá uma demonstração de coragem, afrontando opiniões divergentes, inclusive a dos próprios mandatários do país que pertencem a seu partido, e se propõe a na quinta-feira, promulgar a emenda constitucional que cria o Tribunal Regional Federal. Beneficiará com sua posição, não apenas o Estado em que se abriga e que o levou a Brasília. Igualmente, Minas, Bahia e Amazonas. A coluna refere-se a André Vargas (PT-PR) que, aproveitando a viagem oficial de Renan Calheiros a Portugal, em sua curta permanência no comando do Congresso, vice-presidente que é, promete promulgar a PEC. Atitude que merece o respeito de todos os paranaenses, pelo gesto, não obstante eventuais resistências ao projeto também por aqui. Coragem que se outros  paranaenses tivessem tido, não deixaria o Paraná, para só citar um exemplo, com uma única Universidade Federal, sendo obrigado a gastos milionários para criar universidades estaduais, que não são de sua responsabilidade. 

Correção

A movimentação orquestrada nas fronteiras do Brasil com a participação de vária entidades governamentais chama-se Operação Ágata e não Avatar como publicado aqui.O que não invalida a opinião de que as forças armadas podem dar permanentemente, como estão dando agora, um reforço considerável para blindar as fronteiras brasileiras, especialmente contra o narcotráfico e o contrabando.

Na força bruta

O governo vale-se de uma  imagem criada por pescadores: se não vai com angu, vai com minhoca. Frustrada sua intenção de aprovar a MP 604 no Congresso que perde a validade  nesta segunda-feira, para garantir energia mais barata ao consumidor, vale-se de uma velha arma muito utilizada no regime revolucionário que muitos dos atuais governantes combateram: o  pouco democrático decreto com força de lei.

A voz da experiência

A fala do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão,  dá bem a imagem de que um projeto como esse, de grande força eleitoral, não pode ser obstaculizado. …um compromisso inarredável do governo, quaisquer que sejam os percalços  que nós tenhamos de enfrentar (…) eles serão removidos de algum modo, legalmente… Experiência em remover obstáculos não falta ao ex-senador da Arena.

FOLCLORE POLÍTICO

Já que o nome do interventor Manoel Ribas fori lembrado no texto de hoje, vale lembrar episódio de seu longo período. Um amigo cada vez que o encontrava pedia emprego para o filho. Certo dia Ribas chama o chefe de gabinete: Avisa o ‘fulano’ que o filho dele vai ser nomeado pianista do Palácio. Dia seguinte um pai angustiado o procura: Ribas, você vai nomear meu filho como pianista. Ele nunca chegou perto de um piano! Ribas impassível: E o que tem isso. No Palácio também não tem piano!