Metrô em discussão

Nem a chuva atrapalhou o projeto da presidente Dilma de vir a Curitiba assinar a autorização para repasse de R$ 1 bilhão a fundo perdido e R$ 700 milhões do PAC, para que finalmente saia o tão propalado, embora com contestações, metrô em sua primeira fase. O restante dos recursos previstos para cobrir a obra orçada em R$ 2,25 bilhões, virá do governo do estado, da prefeitura e de PPP. A discussão que se trava hoje é sobre a validade do metrô e em alguns casos, a contestação de seu roteiro. Aos que, como Jaime Lerner, acreditam que o modelo curitibano de transporte  não está esgotado depois de ser referência inclusive fora do Brasil, esse investimento poderia ser reduzido em muito se aplicado em soluções inteligentes, da qual Curitiba já foi referência. Para outros como o candidato do PMDB, Rafael Greca, que por já ter sido prefeito curitibano e da equipe lernista, precursora de inovações como canaletas e estações tubo, entende que o traçado de um metrô deveria ser diferente, transversalmente ao projeto das canaletas porém conectando com este, muita discussão vai ser gerada. Uma tese, o colunista que passa longe de arquitetura e urbanismo também não concorda: é construir o metrô no mesmo traçado das canaletas, transformando a superfície em jardins. Com o ritmo de crescimento dos carros na capital e sua região metropolitana, uma decisão no mínimo preocupante. Não se pode atender apenas aos interesses das empresas que exploram o transporte coletivo de Curitiba há 60 anos, sem licitações, mesmo que venham elas a explorar a linha do metrô. É importante pensar no hoje sufocado usuário do transporte coletivo e também, por que não, nos renitentes motoristas individuais.

Opinião abalizada

Lubomir Ficinski, remanescente da equipe que há quase quarenta anos  revolucionou o sistema de transporte, especialmente o coletivo, de Curitiba, pediu demissão da URBS, onde era diretor. Saiu atirando. Entende que antes do metrô, só  com recursos do PAC (no máximo R$ 400 milhões), sem endividamento, uma nova revolução seria feita no sistema de transporte curitibano.

Boas companhias

De qualquer modo a vinda da presidente e a contribuição que finalmente este estado sempre preterido em favor de outros, recebe, já é um avanço. Claro que se confirmados os repasses. Claro também que para usufruir politicamente do momento lá estavam, ladeando Dilma, o governador, o prefeito, os ministros paranaenses do PT, além de políticos de todos os matizes.

Papagaio de pirata

Um detalhe está coluna, escrita momentos antes da chegada da presidente Dilma com atraso de quase uma hora, pode antecipar. Como em qualquer evento político importante, os espaços no palanque serão disputados a cotoveladas. Importante, até pelo prestígio demonstrado nesta ante-véspera de ano eleitoral, será aparecer na foto. Nem que seja como papagaio de pirata: por trás do ombro da presidente.

Transparência

Em São Paulo, um assunto que incomoda em todo o Brasil, finalmente vai ser colocado a limpo: o governador Geraldo Alckmin promete dar transparência absoluta às emendas de parlamentares junto ao governo paulista. Desde 2007. A decisão ocorre por pressão dos próprios tucanos incomodados com a declaração de Roque Barbiere (PTB) de que seus colegas vendem emendas.

Em choque

A coluna previu: a manifestação em Curitiba contra a corrupção foi pequena. A maioria preferiu a praia, os clubes ou os parques. Assim mesmo os 600 manifestantes que se reuniram no centro de Curitiba, cantaram slogans do tipo vamos varrer os corruptos. Personagens nacionais  como Sarney e até locais, não escaparam. Um protesto que embora com menos participantes que o esperado, transcorreu com bom humor e sem incidentes. Em Brasília a manifestação repetiu o sucesso de antes. Para variar a maior concentração aconteceu na cidade-sede da corrupção: Brasília.