Míííííínimos detalhes
Um dos aprendizados que o colunista recolheu nestes muitos anos de coxia na política brasileira, comprova que o dirigente de órgão público, nunca é apanhado pelas suas maiores malfeitorias. Zeloso quando se trata de causas grandes, dá pouca atenção a pequenos detalhes que acabam se transformando no estopim que leva à explosão. Há exemplos clássicos: o caso do carro Elba, que culminou na renúncia de Collor em que seu preposto PC Farias pintava e bordava; o mensalão, vindo à tona pela displicência de um diretor dos Correios, filmado com a boca na botija (recebendo propina). Agora um novo exemplo: desde José Dirceu com quem Rosemary Nogueira trabalhou durante anos, até Lula, de cuja comitiva ela participou em viagens internacionais, todos sabiam que ela exorbitava no poder que exibia. Só podia dar no que deu: despreparada, reivindicando postos de segundo escalão mas privilegiados a pessoas mau intencionadas, detonou um escândalo que ainda está longe de terminar. A se confirmarem as denúncias do deputado Anthony Garotinho, muita lama vai ainda passar embaixo da ponte. A começar por uma situação que envolve um banco português que, por coincidência teve sua diretoria recebida por autoridades brasileiras, no tempos que antecederam o estouro do mensalão. Pelas mãos do notório Marcos Valério. A própria atitude da presidente Dilma, fazendo o Itamaraty cassar o passaporte diplomático de Rose, pelo menos numa viagem a Portugal mau usado, segundo o mesmo Garotinho, mostra que ela já tinha informações sobre as movimentações da moça. Por isso cabe o lembrete: até para manipular verbas públicas de forma irregular, é preciso ser detalhista. Como lembrava o personagem da Praça da Alegria: tudo bem explicadinho nos seus mííííííínimos detalhes
Contradição
A seqüência de manifestações programada em desagravo à punição imposta a José Dirceu, em várias cidades, cria uma contradição: para um partido que nasceu lutando pela liberdade, pelo restabelecimento da democracia e da moralidade pública, essa defesa é no mínimo ambígua. Contesta a decisão de um dos pilares da democracia pela qual supostamente o PT lutou: condena o STF, alegando não ter dado direito de defesa. E aquele desfile de advogados no julgamento (entre os mais bem pagos do país), o que foi senão o direito de defesa!
Sem transparência
A reunião a portas fechadas no TJ, até mesmo sem a participação dos maiores interessados que são os notários (cartorários) quando um dos temas era o aumento das custas judiciais, só podia gerar dúvidas. Está dando pano pra manga. Outros interesses estão sendo levantados por gente do ramo, em relação não apenas aos aumentos abusivos mas, igualmente em relação aos novos cargos de desembargadores e comissionados. Logo, logo o CNJ, agora sob a direção de Joaquim Barbosa estará sendo acionado.
Vitalício mas não hereditário!
A propósito: cartórios deveriam ser apêndices do Judiciário, com serviços gratuitos. Nunca propriedade particular de privilegiados amigos do Rei. Um reinado que se estende do Executivo ao Judiciário, passando pelo Legislativo. Uns ganham cartório, outros vagas no TC. Menos mal que com um poder a menos: antes cartório era vitalício (até a morte) e hereditário. Cartorário morto, viva o filho! Permanece a vitaliciedade. A hereditariedade acabou. Ganha a vaga quem passar no concurso, com boas possibilidades de ser dirigido como é norma nesta nossa República.
Em choque
Do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Valdri Rossoni, ao anunciar que o aumento das custas e outras medidas propostas pelo TJ, não serão colocados em votação já: A população não vai receber esse presente de grego no final de ano. Até achei que viria um projeto diminuindo o valor das custas. Mas, infelizmente, está vindo para aumentar.
