Mudanças no céu
Uma frase atribuída ao banqueiro e político mineiro Magalhães Pinto, da antiga UDN, na metade do século passado, pode ser atualizada: Política (opinião pública) é como nuvem no céu. A cada vez que se olha está diferente. Se conhecesse esse pensamento do político mineiro, a presidente Dilma não estaria tão surpresa com a mudança de postura do povo brasileiro que, há pouco mais de dois meses lhe dera a certeza de uma reeleição tranqüila. Na realidade as pesquisas com números alentadores nada mais eram que ‘brasa encoberta’. Um sentimento de frustração, com inúmeras posturas do governo que agora festejava a sua continuidade no poder, veio à tona quando o próprio PT lembrou que já mandava no país há dez anos. Nas festividades, ao invés de realizarem reflexão sobre o que mudara realmente, apenas acenavam seus líderes para a perspectiva de ficarem pelo menos mais dez. Esquecidos que os primeiros anos de Lula, tinham aproveitado o que os governos anteriores haviam conquistado, inclusive em programas sociais que dona Ruth Cardoso (no de FHC), sem estardalhaço, iniciara, e que o governo Lula agrupou, deles se adonando; da estabilidade financeira alcançada, com o domínio da incrível inflação recebida dos anos 80, à custa de enormes sacrifícios exigidos ao povo. A compra da opinião dos grandes veículos de comunicação através as verbas da estatais (BB, Caixa, Petrobras, etc..), encarregou-se de jogar sobre os olhos do povo uma cortina de fumaça, mostrando o que acontecia de bom e escondendo as malfeitorias que, mesmo assim teimaram em vir à tona, pela atuação de uns poucos jornais investigativos. De tanto tentar encobrir essas más ações de companheiros, mesmo acenando com projetos mirabolantes como os PACs (que empacaram), tentando ainda omitir a má qualidade da saúde e da educação, o governo se viu surpreendido pela revolta popular, puxada por 20 centavos de aumento nos transportes coletivos. Na realidade, a gota d’água…
Expectativa
As grandes redes de TV, mesmo abastecidas pelo governo, tiveram que se curvar aos problemas criados por Zé Dirceu e seus companheiros de avanço nos cofres públicos, durante o julgamento do mensalão. Problema que ainda hoje cria expectativa na opinião pública, sequiosa de saber qual será o fim desse julgamento. Com o clima atual, tergiversações não serão aceitas.
Surpresa
Nesse episódio, despreocupadas com a TV Senado que sempre apresentara nas pesquisas de audiência, apenas traço, as TVs abertas surpresas, viram-na virar top de visibilidade com as transmissões das sessões do STF que, desnudavam um dos grandes escândalos deste país. A solução foi também mostrar o desempenho de Joaquim Barbosa e demais ministros.
Feitiço…
Curiosamente, no caso da compra de opinião das TVs, um efeito contrário aconteceu. Recheadas de verbas públicas, as emissoras viram-se impossibilitadas de dar total liberdade a seus departamentos de notícias. A solução foi mudar o foco dos telejornais: ao invés de apontarem o que havia de errado na administração pública brasileira, passaram a dar ênfase ao noticiário policial. Metade dos telejornais dedicados ao noticiário policial. Algum destaque ao panorama internacional, hoje conflitado e um mínimo de noticiário político. Destaque apenas para a atuação da Presidente.
…contra o feiticeiro
O resultado inesperado dessa influência do governo no noticiário das redes de TV é que aumentou em muito a sensação de insegurança, um dos pontos hoje criticados pela opinião pública. Caso típico de feitiço que virou contra o feiticeiro. Inclusive agora, com a ostensiva cobertura às manifestações populares de descontentamento com o estado de coisas no Brasil.
Em choque
Aturdido com as manifestações populares, ampliadas pela suntuosidade dos estádios, cujos custos bilionários nem a vitória na Copa consegue acalmar, o governo procura saídas. Certamente não será com apenas uma medida que as manifestações cessarão.
