Nem tanto, Delúbio!

A coluna tem defendido a necessidade de mudanças, por vezes simples, para que a democracia brasileira adquira cada vez mais autenticidade. Como dito ontem, quando do elogio à experiência que o governo do Uruguai pretende implantar, liberalizando o uso da maconha como forma de combater o tráfico, é preciso coragem para tomar certas decisões. No Brasil, que há anos necessita das reformas sempre anunciadas e nunca realizadas, algumas medidas, ainda que tímidas começam a dar o ar da graça. Em discussão no STF, o financiamento de campanha. Mais especificamente, acabar com as doações de  empresas. A discussão encontra respaldo na corrupção a que tais financiamentos conduzem. Como ponto de partida o volume de recursos doados nas campanhas de 2010: contabilizados, nada menos que R$ 6 bilhões. Como empresa, da oração de São Francisco só reza o é dando que se recebe, o retorno multiplicado é sempre esperado. Além do relator ministro Luiz Fux, já se intui a posição favorável do presidente Joaquim Barbosa e de pelo menos três outros ministros. O que deixa a certeza de que, quando o assunto voltar à baila em 2014, boas serão as possibilidades de aprovação. Não que a criatividade dos políticos não tente outras formas de obter recursos. Acontece que, sem essa forma hoje em uso, a tendência das campanhas é reduzir de custos. Inclusive na custosa produção televisiva que fez a delícia de alguns publicitários. Um político que é contra, estará fora de ação. Os de melhor memória hão de lembrar que, anos atrás, quando a necessidade de divulgar na internet o nome de empresas doadoras foi levantada, o tesoureiro do PT, Delúbio Soares afirmou: Transparência assim é burrice.

Mau profeta

Lembrar fanfarronices do Delúbio agora, pode parecer chutar cachorro morto, mas não é. Os políticos precisam ter bem vivo na memória que, os jornais servem como repositório escrito da História. O que foi dito e registrado, um dia será relembrado. Como a expressão que usou, logo ao início dos vazamentos  do mensalão: O tempo cuidará de fazer disso, piada de salão. Não cuidou!

Tropa de choque

O PT paranaense já organiza sua tropa de choque para a batalha de 2014, na medida em que, garante o presidente Ênio Verri, não há possibilidade de Gleisi não disputar o Palácio Iguaçu. Os comandantes Ângelo Vanhoni, André Vargas e Zeca Dirceu já estão em campo. Programa de governo, articulação com partidos e alianças com prefeitos, é com eles mesmo.

Discussão válida

A Assembleia, que vota nesta semana os dois projetos propostos pelo Tribunal de Justiça com  aumento para o Funrejus e também nas custas cobradas pelos cartórios, está na obrigação de esclarecer detalhadamente tais aumentos. Sob pena de na opinião pública ficar como a vilã do aumento, quando em realidade a resistência em colocar em votação a matéria, obrigou a longa discussão entre o TJ e a AL, beneficiando os menos favorecidos. A coluna teve acesso ao novo texto.

A toque de caixa

O governo encaminhou dez projetos à Assembleia Legislativa, pedindo pressa em suas votações, o que obriga o líder do governo na  Casa de Leis a requerer a  transformação  da votação em comissão geral, o que possibilita várias sessões no mesmo dia (segunda-feira) e pouca ou nenhuma discussão dos projetos, alguns polêmicos. Será um embate entre a forte situação e a minúscula  mas aguerrida oposição. Exatamente como acontece em todas as Casas de Leis, em que os governos têm maioria: manda quem pode; obedece quem tem juízo!

Reflexão

Para amenizar as tensões descritas na coluna, amenidades, como proposto ontem. Votos para 2014: Se for para fazer guerra, que seja de travesseiros; se for para perder, que seja o medo; se for para matar, que seja a saudade; se for para morrer, que seja de amor; se for para ir embora, que seja a tristeza; se for para chorar, que seja de alegria; se for para roubar, que seja um beijo.