Nomes, sobrenomes… e apelidos

Personagem marcante em livros de folclore político como o último escrito por este colunista, por seu bom humor permanente, o pai de Gustavo, Maurício Roslindo Fruet, foi prefeito de Curitiba, por indicação do governador José Richa. Num tempo em que prefeitos de capitais e de municípios da zona de segurança nacional não eram escolhidos por voto popular e sim pelo regime. Curiosamente, trinta anos depois, seu filho é eleito por esmagadora maioria para administrar a capital do estado do Paraná. Os personagens da história são frutos das mesmas origens, com a diferença de que o que indicou Maurício Fruet à época, foi o primeiro governador eleito pelo voto direto, depois de ter sido prefeito de Londrina e senador, marcando o reinício do voto direto, com a ditadura ainda vigorando no país. Agora,  Beto Richa governador, depois de ter sido prefeito de Curitiba, eleito e reeleito (deixou o segundo mandato pela metade), impede o filho de Maurício de se candidatar à prefeitura, caminho natural para ele que pelo PSDB, partido em que ambos eram figuras expressivas, obtivera 650  mil votos na capital,  em uma campanha movida pelo espírito partidário ao Senado. Obrigado a compor-se com ex-adversários a quem combatera, a grande motivação da campanha do candidato apoiado por Beto, atual prefeito (vice de Beto assumira a complementação do segundo mandato) Luciano Ducci, passou a ser, apontar a incoerência de Gustavo Fruet. Esquecendo-se que, numa democracia de 30 partidos sem filosofia, o povo está votando em nomes, não em partidos. Resumo da ópera: Gustavo venceu Luciano no primeiro turno e enfrentou Ratinho Jr., um jovem político impulsionado pela vitoriosa carreira artística de seu pai, Carlos Roberto Massa que como Ratinho crescera profissional e financeiramente. Ganhou bem o primeiro turno, numa capital de estado, que embora sendo hoje a maior cidade do interior pelo fluxo migratório que sofreu nos últimos 50 anos (o próprio Ratinho pai, fruto dessa onda), ainda é apontada como conservadora. No turno final faltou ao Ratinho Jr., um nome: Carlos Roberto Massa Júnior.

Árvore e fruto

Comprovando o dito popular de que a fruta não cai longe do pé, Gustavo tem uma carreira vinculada à do pai, Maurício, marcada por vezes pelo imprevisto. Vereador pelo PMDB, assumiu a candidatura em 1991. Seu pai, candidato a deputado federal em 1998, é vitimado, um mês antes,  por enfarte fulminante. Coube ao jovem Guga assumir a candidatura. Três mandatos de deputado o consagraram pela coragem de combater pelo PSDB, o governo dominante, do mesmo partido que agora o apoiou.

Erro tático

Incoerência! Não. Erro estratégico dos companheiros de partido que entenderam, sendo ele um ardoroso combatente do PT, denunciante do mensalão que hoje causa estragos nas antigas fileiras desse partido, à época adaptado ao estilo de Lula, poderia ter seu legítimo direito de disputar a prefeitura de Curitiba cassado, sem danos. Ficaria à deriva, sem opção para seu projeto. Esqueceram-se que no vazio de quadros que grassa na política brasileira, um jovem como o Guga (hoje também o Ratinho Jr., que deve trabalhar o verdadeiro nome de seu pai para adquirir luz própria), é bem recebido em qualquer partido.  

Me engana…

A grande especulação que se faz, terminada uma campanha municipal que movimentou o país é: quem ganhou. Ganhos e perdas ocorreram de todos os lados. Nos gabinetes governamentais, quando não se conseguiu expressivas vitórias nos centro mais importantes, a contabilidade é feita pelo número de municípios em que prefeitos apoiados pelo governo foram eleitos. Estatística de fachada..

Em choque

Por essa aritmética os números ainda serão expressivos. No frigir dos ovos porém, as perdas oficiais do PSDB foram imensas. Como também do DEM, que depois de ser PFL, míngua a olhos vistos. Como também o PMDB, partidos com fadiga de material. Em verdade, a prevalecer esse sistema eleitoral brasileiro, carente de uma reforma vigorosa, nenhum partido resistirá por muito tempo.