Notas baixas

Os reflexos dos desentendimentos ocorridos no início do ano no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), com greves da equipe técnica pelo aparente aparelhamento na direção do órgão, tem seus resultados agora explicitados. Erros  comprometedores nos números do Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), repercutem e colocam em alto risco o conceito longamente construído pelo Instituto. A exemplo do que já ocorrera com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que obrigara a mudança na direção e pedido público de desculpas, por grave erro divulgado, as coincidências que ocorrem em vários órgãos governamentais cujas direções são nomeadas, mais por indicação política que por méritos técnicos, apresentam resultados negativos. Até funcionários de carreira, caso de Paulo Roberto Costa na Petrobras, quando indicados politicamente, ficam à mercê das exigências partidárias. Coincidência ou não, empresas denunciadas pelo ex-diretor como participantes do propinoduto implantado na estatal petrolífera, aparecem como doadoras na campanha do partido que indicou o referido ex-diretor. Em grande número, candidatos a deputado pelo Paraná. Não apenas os erros de institutos nacionais preocupam o governo, nesta reta final de campanha. Agências internacionais de avaliação de desempenho da saúde econômica, financeira, política e social do país, como  a Moody’s, têm colocado o Brasil em perspectiva negativa. Isso implica em mais dificuldade na obtenção de crédito externo e juros mais altos nos empréstimos internacionais. De nada adianta o ministro Mantega, ainda no cargo apesar dos pesares, tentar desqualificar as críticas e não admitir seus erros. Passada a eleição, tais situações têm que ser atacadas de frente.

Esperança no PT

As novas pesquisas sobre a eleição presidencial, se não apresentam grandes mudanças, criam mais otimismo na campanha da presidente que busca a reeleição. A pequena queda de Marina, acossada por agressões de ambos os adversários mais importantes, que jogam todas as suas estruturas e forças nesta reta final, é resultado desses ataques. Dilma ampliou vantagem no primeiro turno e empatou tecnicamente com Marina, no segundo.

Estatais na TV

No segundo turno, quando a diferença brutal de tempo na TV (11’ a 2’) desaparece, resta saber se Marina terá recursos para manter um programa de 15 minutos. Recursos que certamente não faltarão à presidente que continua no cargo, uma vantagem adicional. Curioso é a campanha de Marina não ter pedido a suspensão das propagandas institucionais das estatais Petrobras, Caixa e Banco do Brasil nas TVs. Elas são parte da campanha, citadas na desconstrução da imagem da concorrente.

Insinuação perigosa

No Paraná Beto Richa aumenta três pontos no Ibope. Vai a 47%. Mais que a soma de Requião que cresceu dois pontos (30%) e Gleisi que caiu dois (12%). Gleisi por sinal tem se atido a insinuar que Beto, em suas poucas audiências com Dilma, teria tentado prorrogar o pedágio, insinuando vantagens.  Insinuação delicada: o ministro Paulo Bernardo tem pendência com Requião em sobrepreço num projeto de extensão da Ferroeste.

Esqueleto no armário

Mais um esqueleto no armário, desta vem em Brasília, reaparece!  Volta à baila um velho problema do presidente do Senado Renan Calheiros. O caso extra conjugal com a jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha, e que já lhe valeu ter renunciado à Presidência da Casa para salvar seu mandato em 2007,  está vivo. Dia 2 a Procuradoria da República no Distrito Federal, enviou à Justiça ação de improbidade administrativa contra Renan. A acusação remete a falsidade ideológica, uso de documento falso (recibo de suposta venda de gado) e peculato (desvio de dinheiro público.

A imprensa de novo

A presidente Dilma, a exemplo de altas figuras de seu partido, continua a tentar desqualificar a imprensa, muito embora esta tenha se revelado um dos guardiões da moralidade pública no país. As grandes falcatruas só chegaram ao povo por ela. Ao informar que pedirá ao ministro Zavaski (STF), acesso aos depoimentos de Paulo Roberto, pedido negado pelo Procurado Rodrigo Janot, afirmou: Quero ser informada se no governo tem alguém envolvido. Eu não reconheço na imprensa o status que tem a Polícia Federal, o Ministério Público e  o Supremo. Paulo Roberto, segundo revistas nacionais, apontou gente do alto escalão do PMDB e PT, e o ministro de Minas  e Energia, Edson Lobão, entre os beneficiários do mensalão 2.