Novo estilo
Um diferencial já é bem claro nos estilos de governo do Paraná. Enquanto Requião se limitava a reuniões obrigatórias na escolinha para seus assessores e poucas vezes comparecia em Brasília para contato com autoridades federais; mais, quando procurado por elas oferecendo recursos, normalmente questionava os valores. Foram duas situações marcantes: a primeira quando investimentos necessários à construção do novo cais para o porto de Paranaguá foram oferecidos. Requião negou-se alegando que faria a obra por muito menos, insinuando que haveria sobre-preço na quantia oferecida. A outra foi mais contundente: criou um tremendo mal-estar como o então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Os valores oferecidos para a extensão da ferrovia, hoje parada em Guarapuava, promovendo sua conexão com o restante da rede ferroviária que faz ligação com o porto (a dúvida sobre os trilhos serem estendidos até Irati ou Ipiranga ainda persiste), foram mais uma vez contestados por Requião. Redundando num processo que o hoje ministro das Comunicações lhe move pela acusação de tentativa de corrupção. O fato é que ainda agora as duas obras não foram feitas. Hoje o estilo conciliador do governador Beto Richa se faz presente, inclusive promovendo reuniões como a realizada na segunda-feira com a bancada federal do Paraná, em que solicitou empenho dos 22 parlamentares presentes (até com gente da oposição), visando tirar o estado da condição de penúltimo colocado nos investimentos da União em 26 estados e Distrito Federal. Isso com toda a contribuição que este cantinho do Brasil dá, para o erário nacional. Como sempre se disse que a autofagia reinante entre os políticos paranaenses nos levava a essa vexatória condição, espera-se agora que, unidos, deixando de lado as questiúnculas partidárias, a situação se reverta.
Prevenir…
Não vai ser por falta de sinais preocupantes: a aftosa já apareceu no Paraguai, a 200 quilômetros de Guaíra. Com a precária estrutura de fiscalização da ponte do local, por onde passam milhares de caminhões por mês, o ideal é que se reforçasse, não apenas naquele mas em todos os pontos vulneráveis da fronteira o atendimento.
…para não remediar
Um equívoco no primeiro governo mais recente de Requião (2003-06), que nem sequer identificou a doença, custou caro ao Paraná. Foram trancadas todas as portas de entrada de países consumidores à carne proveniente do estado, com enorme prejuízo a frigoríficos e postos de trabalho. Sem contar impostos. Além do abate indevido de centenas de animais.
Quem manda?
Há um descompasso entre governo e a presidência da Câmara Federal, sobre novas formas de abastecer a saúde. Enquanto Ideli Salvatti diz ao Estadão que será inevitável criar um novo imposto, o presidente da Câmara, Marco Maia, do mesmo PT da ministra afirmanão ver possibilidade alguma de a Câmara aprovar a criação de novo imposto, nem neste ano nem no próximo.
Inaceitável
A destinação de 10% do orçamento bruto da União para a saúde, da emenda 29 recém aprovada pela Câmara Federal está sendo contestada por ninguém menos que a presidente Dilma. É inaceitável diz ela, na medida em que terá que destinar mais R$ 30 bi ao setor. O governo vai trabalhar para bloquear a emenda no Senado.
Conflito
Não é só no governo petista e poder legislativo (da mesma origem) que há conflito. O ministro chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, também faz críticas ao Judiciário. Afirma com todas as letras que o Supremo (STF) tem interpretado o princípio da presunção da inocência com muita benevolência, favorecendo demais ao réu. Claro que réu importante. Ladrão de galinha não chega lá!
Em choque
Ao observador comum, aquele brasileiro que já recolhe mais de 36% do que ganha em impostos, só restará uma certeza: lá em cima eles se acertam e para nós, que não recebemos nada desse dinheiro de volta em forma de serviços, sobrará a conta.
