Números que preocupam
O governo continua a não entender nada. Às manifestações, sua resposta inicial seria a de convocar um plebiscito para saber se o povo quer uma reforma política. Mudou, para saber que mudanças o povo quer. Como se elas não tivessem sido exibidas à exaustão! . Agora vem a embromação. O TSE pede no mínimo 70 dias para preparar a consulta popular. Não sem antes o Congresso preparar os questionamentos a serem submetidos ao eleitorado. Se depender da maioria (que é governista), só questões que não se conflitem com seus interesses. Um fato recente confirma o comportamento desses parlamentares: o mandado de prisão imediata do deputado Natan Donadon pelo STF, foi mal recebido na Câmara Federal. Essa resposta da presidente, seguida de reunião com todo o ministério para demonstrar preocupação, deixa claro que uma das principais reivindicações subentendidas no clamor popular, está fora das cogitações do governo: o gigantismo da máquina pública. Matéria de O Globo, além de mostrar a ineficiência da máquina governamental, dá a exata noção do seu tamanho. São 39 ministérios hoje. No governo FHC, 24. Lula acrescentou 11 e Dilma mais 4. Custam R$ 611 bilhões ao ano. Desses, R$ 192 bilhões pagam 984.330 funcionários. Ocupantes de cargo em comissão são 22.417, sem necessidade de qualificação, bastando ter QI: quem indica. O prezado leitor acha que é necessário plebiscito para saber que é um absurdo, tanto governo em cima do brasileiro? Daí a necessidade de 37% (ou serão 38%) de impostos que incidem até sobre a cachacinha que o miserável que dorme embaixo das marquises dos prédios curitibanos, toma, para agüentar o frio de Curitiba. Pelo jeito vai continuar assim: o governo faz que ouve, mas passa a bola para o Congresso. Este, descarta!
Orçamentos existem…
O levantamento publicado acima é parte da história. Agora vem a complementação! Esse governo que tanto se jacta de seus programas exuberantes, sequer consegue gastar o orçamento destinado a setores em que o povo clama por melhorias. Desde 2003, orçamentos existem. Aplicação é que deixa a desejar. Dos R$ 50,6 bilhões destinados à saúde, 39,3% foram efetivamente aplicados.
…falta competência
O mesmo acontece com o saneamento básico que teve 48,6% de seus R$ 16,7 bilhões aplicados. Dos R$ 53,3 bilhões orçamentários da educação, 61,3% em realidade saíram dos cofres públicos. Em transportes, outra reivindicação geral, para R$ 118,5 bilhões, 60,5% investidos. E olha que nesse percentual devem estar embutidas as inevitáveis comissões! Dá para acreditar que os R$ 50 bi que a presidente anunciou no ardor das refregas populares vão ser realmente investidos! Promessas como essa, neste momento, estão refletidas nos números do descrédito que o Ibope revelou em suas pesquisas.
Popularidade em baixa
Esta coluna já antecipara que nas circunstâncias atuais, com balança em baixa, juros em alta, indústrias em crise, quedas espantosas de popularidade provocadas pelas manifestações populares que escancararam os problemas nacionais, atingindo prefeitos, governadores e a presidente Dilma, seria difícil conseguir medidas de impacto. A omissão da classe dirigente nacional foi longe demais, para uma curta recuperação. Qualquer iniciativa, a não ser a redução drástica do custo da máquina pública, não oferecerá resultado imediato.
Águas de junho
Para completar o quadro negro que se observa no momento político brasileiro, São Pedro abriu as torneiras do céu, deixando diversos estados brasileiros embaixo d’água. Enquanto no sertão a seca inclemente castiga milhões de nordestinos.
Em choque
No Paraná, duas notas de pesar marcam os dias atuais, entre políticos da velha guarda. O falecimento repentino de Sérgio Leone na Lapa, ele que por vários períodos ocupou a prefeitura local e mandatos de vereador, dedicando sua vida às causas da Legendária. Em Paranaguá o povo que reconduziu Mário Roque à prefeitura, depois de uma passagem pela Assembleia, guarda luto por sua morte.
