O poder inebria

Não se iludam os que virem a chegada da presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, juntinhos no dia de Santo Antonio, o santo casamenteiro, para as comemorações dos dez anos do PT no poder, a ocorrer em Pinhais. Apesar da data, o casamento político entre ambos não anda tão firme. Não por culpa de Lula que, reconheça-se, ficou afastado o quanto pode de Brasília, desde que Dilma, que todos imaginavam faria um governo clone do seu, assumiu o poder. Seu estilo, bastante diferente do anterior, tem criado dentro do partido muitas dissidências. Não são poucos os que têm saudade do estilo mais bonachão do governo Lula: especialmente os sindicalistas, parceiros favoritos do ex-metalúrgico que foram tratados com carinho nos oito anos de seu governo. A ponto de terem superado a opinião quase geral que pedia o fim do sindicalismo atrelado ao poder, com direito a contribuição obrigatória dos empregados de todos os setores. Também os companheiros e agregados que compunham a base parlamentar, tinham tratamento diferenciado e hoje recitam a palavra saudade. Não por acaso, quando o Ibope divulga pesquisa  com perda de 7 pontos percentuais na popularidade do governo Dilma, muito embora ainda mantenha índices superiores aos dos antecessores FHC e Lula,  no período, o movimento, ainda subterrâneo, endossado por muitos que vislumbram o volta Lula, comece a recrudescer.  Em realidade, na política sempre foi assim. Rei morto, viva o novo rei (ou rainha). Os novos ocupantes do poder, mesmo que devedores ao apoiador maior, caso de Paulo Pimentel por exemplo, para Ney Braga, para só citar caso do Paraná, logo depois estarão rompidos por influência dos novos conselheiros. Se bem pensado, o relacionamento entre Dilma e Lula, está indo longe. Não sem altos e baixos.

Queda minimizada

Freqüente  participante das  comitivas da presidente Dilma ao exterior, e um dos seus principais conselheiros, o ministro da Educação, Aloísio Mercadante, falando em nome da porta-voz presidencial Helena Chagas, afirmou, logo após a comitiva presidencial chegar a Portugal e ter notícia da pesquisa com queda da popularidade do governo Dilma, que a presidenta (está) no melhor momento de apoio popular e intenções de voto para 2014.

Ministro e vice-governador…

Mal entrado no governo como ministro, o também vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD-SP) já enfrenta bombardeios. No PSDB de São Paulo, a intenção é cassar sua vice, para que nas eventuais substituições, como está ocorrendo agora com a viagem  de Geraldo Alckmin,  o cargo de governador seja ocupado pelo presidente da Assembleia Legislativa, que é tucano.

…já incomoda (e é incomodado)!

Outro problema de Afif, diz respeito à decisão da Justiça paulista que embargou a construção de um condomínio de luxo que já abriga 50 casas de alto padrão, num terreno de 128 mil m2 de propriedade de Afif, no litoral paulista, por problemas suspeita de irregularidades e favorecimento no processo de licenciamento ambiental. Enquanto ele estava à sombra, nada a reclamar…

Decisão atrasada

Vencido o prazo para a emissão de notas fiscais, com informações sobre parte dos impostos incidentes no produto (7), uma conquista do consumidor, a Casa Civil da Presidência da República envia projeto à Câmara Federal ampliando o prazo para que a não obediência por parte do comerciante, não esteja sujeita a multa. O interessante é deixar vencer o prazo para depois modificar a lei.

Em choque

Vem aí mais um vilão, se a inflação continuar alta: o pãozinho de farinha de trigo. A  escassez do seu principal componente se deve à política equivocada conduzida pelo governo para o trigo que, em tempos passados já apresentou produção no Brasil quase equivalente ao consumo. Com a queda nos estoques mundiais e a quebra na produção brasileira, o país terá que importar 7,2 milhões de toneladas, equivalentes a 68% do consumo nacional. Com preços que cresceram 14%.