O preço da fama
Com notoriedade adquirida no julgamento do mensalão e toda a repercussão que essa ação penal 470 obteve, qualquer posição adotada pelo ministro Joaquim Barbosa é motivo para debates. Verdade que uma ou duas vezes por manifestações de seu temperamento, mais das vezes reações provocadas pelas dores de sua coluna ferida. Do alto desse destaque o hoje presidente do STF, que volta às manchetes pelo desdobramento do caso, também aproveita o ensejo para fazer afirmações que certamente serão contestadas, por críticas à elitização da Justiça brasileira. Agora, na Costa Rica, onde fez palestra nada favorável ao momento vivido pela Justiça no Brasil, perante uma platéia de jornalistas reunida em congresso sobre a liberdade de imprensa. Barbosa, repetindo algumas afirmações que já fizera por aqui, no CNJ que preside, mostrou não aceitar o conluio entre juiz e advogado. Uma pessoa poderosa pode contratar advogado com conexões no Judiciário, que pode ter contatos com juízes, sem nenhum controle do Ministério Público ou da sociedade. E depois vêm as decisões surpreendentes, afirmou, complementando a principal crítica que fizera: Pessoas são tratadas diferentemente pelo status, pela cor da pele, pelo dinheiro que têm. Tudo isso tem um papel enorme no sistema judicial e especialmente na impunidade. A complementação de que tais situações são favorecidas pela infinidade de recursos possíveis entre as quatro instâncias, conduz ao raciocínio sobre o favorecimento aos mais aquinhoados. Daí estarem as prisões recheadas de presos, mais das vezes assistidos pela defensoria gratuita. Embora as reações que as afirmações de Joaquim Barbosa vão provocar dentro da própria classe, sabidamente uma das mais bem aquinhoadas e corporativas, inclusive quando supostamente a serviço do público, forçoso é admitir que sobram razões em suas falas.
Foro privilegiado
Um dos argumentos que mais reforçam as posições de Joaquim Barbosa, que frisou falar na condição de cidadão político e consciente e não na de presidente do STF, foi a existência do foro privilegiado, invenção da classe política para fugir em instâncias inferiores aos rigores da lei. Apesar das críticas, Barbosa reconheceu que a liberdade de expressão é uma realidade no país, depois da redemocratização.
Reação …
A força das mídias alternativas, tipo Facebook, se fez sentir no episódio que ocorrerá hoje em Curitiba: a farofada no granito. A implantação de uma calçada desse material em bairro nobre e rico de Curitiba, a preços que suplantam em seis vezes o da calçada comum, bancada com recursos públicos, provocou reação. Mesmo suspensa pela nova administração curitibana e completada com lajotas comuns, a reação foi imediata.
…bem humorada
A situação em realidade complicou-se pelo fato de a guarda municipal impedir jovens de usar skate nesse tipo de revestimento. A ação do guarda e sua fala, caiu na Internet: Você não vê que esse negócio (calçada) é de ouro? A convocação bem humorada para um encontro de farofeiros no local, levando sanduíche, cadeira de praia, tem por objetivo mostrar que essa melhor calçada de Curitiba é um bem público e não dos privilegiados moradores da avenida. Sete mil pessoas prometeram estar presentes.
FOLCLORE POLÍTICO
Num tempo sem Internet, com TV em fase inicial, em que o Rádio era o veículo de comunicação dominante, outro episódio em Curitiba faz lembrar essa reação de agora. Agressiva porém, e sem o humor da farofada no granito. Um desentendimento entre um comerciante libanês da Praça Tiradentes e um cliente, por conta de uma pequena compra, desencadeou o que viria se transformar na guerra do pente. Do nada, de repente centenas de pessoas entraram em conflito, transformando-se a briga em arruaça que se estendeu por várias quadras depredando lojas e outras portas. Um espetáculo digno de torcida organizada.
