Oportunidade perdida

A Câmara Federal, num momento em que o conceito da classe política está em baixa, perdeu excelente oportunidade de mostrar que não aprova malfeitorias praticadas por seus membros. Salvou o mandato da deputada Jaqueline Roriz, apanhada com a boca na botija (documentada em vídeo) recebendo dinheiro do delator do que acabou sendo conhecido como mensalão do DEM, que embora em muito menor volume financeiro, acabou ficando mais famoso que o mensalão do governo Lula, ainda não julgado. Apesar das manifestações ostensivas de vários de seus parlamentares,  recriminando a atitude das deputada, prevaleceu na votação secreta, o corporativismo da Casa. O raciocínio é pragmático: Vá que amanhã seja eu!. O argumento de que o episódio ocorreu quando a filha do  ex-governador Roriz, não era deputada não tem fundamento. Um certo Hildebrando Cabral, do Acre, que tinha o maldoso hábito de usar a serra fita nos membros (braços ou pernas) de adversários,  foi cassado, embora os atos tivessem ocorrido quando ainda não tinha mandato. Ao todo, de 32 deputados denunciados, apenas 4 foram cassados pelo plenário da Casa. Desses, 2, por envolvimento no mensalão – Zé Dirceu e Roberto Jefferson – que agora, junto a outros 36 políticos, com o retorno do ministro do STF, Joaquim Barbosa, podem  ser julgados. O que prova que, corporativismo político e lentidão da Justiça, são elementos fundamentais para desmoralização da classe política. Não bastasse isso, o recuo da presidente Dilma que acenara à opinião pública para uma lavagem em regra na corrupção que grassa no país, hesitante agora, pressionada pelos partidos de apoio e até pelos companheiros petistas, inclusive segundo consta pelo próprio ex-presidente que fica desmoralizado com a exibição de situações que enfiara para baixo do tapete, conduz a opinião pública a querer cada vez mais distância da política.

Transparência

Há luz no fim do túnel: entidades se movimentam para pressionar o Congresso na tomada de medidas capazes de conduzir à moralização. Uma delas é a abolição de votações secretas como a que absolveu a deputada Roriz. Acham que o eleitor tem o direito de saber como seu representante votou em cada tese. Nada mais justo!

Posição controvertida

A viagem do presidente da Assembleia Legislativa, Valdir Rossoni, na comitiva do governador Beto Richa à Europa, visando promover as oportunidades oferecidas pelo Paraná a novas empresas, virou um cavalo de batalha para alguns veículos de comunicação. Os mesmos que criticaram o encaramujamento do estado no período anterior, fechando as portas a investimentos externos.

Explicação

Ao regressar na quarta-feira Rossoni viu-se obrigado a explicar que por se tratar de viagem oficial, as despesas foram bancadas pela AL, como autoriza a lei. Com valores colocados no Portal da Transparência da Casa.

Braços abertos

A nova mentalidade colocada em destaque pelo governador, reabrindo os braços do Paraná a investimentos que gerem renda e empregos, abandonada desde que Jaime Lerner conseguira implantar o parque automobilístico que deverá ser ampliado (o governador anterior usou as benesses, apesar das críticas), já começa a mostrar efeitos. Novas empresas anunciam interesse em vir para o Paraná.

Memória curta

Realmente nenhum país do mundo conseguiu oferecer um serviço de saúde público, com qualidade, sem investir muito, como garante a presidente Dilma. Quem falar que resolve isso sem dinheiro é demagogo. diz. Como ela não estava no governo, alguém precisa lembrá-la que o dinheiro já existiu. Chamava-se CPMF. E foi gasto em outras coisas que não a saúde.

Em choque

Jogo, não! Como a ministra Ideli Salvatti renega a possibilidade de reabertura de cassinos como fonte de recursos para a saúde, vale perguntar a ela o nome que se dá a essas formas de exploração que a Caixa Econômica faz. Para a coluna o nome é jogatina desenfreada.