Palavra desonrada
Entre os inúmeros homens públicos com que este colunista conviveu ou trabalhou, cada qual com características pessoais marcantes, um deles causou profunda impressão pelo zelo com a palavra empenhada. Jaime Canet Jr. repetia sempre: Eu não prometo. Assumo compromisso. Verdade absoluta que, especialmente os prefeitos de sua época como governante aprenderam. De uma lista de cinco reivindicações trazidas a ele pelos prefeitos de então, definia na hora. Essas três eu atendo. Essas duas outras o Estado não tem condições de assumir no momento. Com uma certeza o seu interlocutor saia da audiência: já podia se comprometer com as obras pleiteadas. Canet honrava o que dizia. O assunto volta à baila na memória do cronista quando se divulga o tratamento dado aos números de fechamento do ano fiscal, pelo governo federal: uma fraude! Pura maquiagem para iludir aos menos avisados, ou menos versados nos complexos caminhos da economia governamental, com suas siglas e atalhos que permitem uma visão otimista à partir de uma falsa realidade. Cientes porém os atores dessa tragicômica manobra que, aos olhos dos experts, não passarão elas desapercebidas. Ao revés. Gerarão desconfiança que, a médio prazo desaguará na deterioração da palavra empenhada. Não há ideologia, nem economia que resista a esses números forjados nos porões dos palácios governamentais. Cedo ou tarde, essa postura se tornará responsável pelo descrédito do país: R$ 200 bilhões de passivo maquiado, não passarão no crivo dos investidores. Quiçá, dos eleitores. Como lembrou o juiz/colunista da Gazeta do Povo, Friedmann Wendpap, confiança nos números não é coisa da direita. A honestidade não tem ideologia.
Bom começo
Para quem esperava uma queda-de-braço entre o governo do Estado e a prefeitura de Curitiba, com a vitória de Gustavo Fruet sobre o candidato apoiado por Beto Richa, os primeiros fatos são frustrantes. Em várias áreas já ocorre entendimento: no subsídio ao transporte coletivo, que deve continuar. Convênios na área de segurança, com participação de MP, TC e Fiep, estendidos a Londrina e Cascavel, também indicam boa convivência inicial. Neste caso, extensão de programas sociais nas áreas em que Unidades do Paraná Seguro já foram instaladas.
Entendimento perfeito
Uma aproximação entre figuras públicas, estadual e municipal, explica-se pela lógica da política. O secretário estadual do Emprego, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) e a vice-prefeita e secretária curitibana do Trabalho, Miriam Gonçalves (PT) estão trocando figurinhas, em busca de entrosamento entre suas áreas. Sem conflito ideológico (ou fisiológico) na medida em que PT e PMDB no plano nacional estão juntos. Como poderão amanhã estar juntos aqui.
Sugestão aproveitada
A dica foi dada por Requião no seu Twitter: Curitiba recebe subsídio para o transporte coletivo. E os outros municípios. Foi o que bastou para a reivindicação de igual tratamento por cidades de maior expressão no Estado. Tanto que Beto Richa, atento, já acenou com apoio a todos eles a partir de maio, quando se encerra o atual convênio que beneficia o transporte coletivo curitibano.
De olho em 2014
A sensibilidade política do governador também está antenada no fato de que, a cessação do apoio dado ao mandato de Luciano Ducci, garantindo a manutenção do preço atual das passagens, se suspensa, gerará desgaste político no maior eleitorado do estado. Três milhões de eleitores já que o transporte coletivo é integrado na Região Metropolitana de Curitiba.
Em choque
Previdente, o prefeito curitibano Gustavo Fruet, pedirá verba suplementar à Câmara Municipal para fazer frente às dívidas com prestadoras de serviço, em atraso com seus servidores, em função do não pagamento dos contratos pela Prefeitura no final do mandato anterior. Serão R$ 200 milhões para a retomada dos serviços, sem maiores prejuízos à população.
