Palavras perigosas

A previsão de que as críticas que certamente fariam parte do discurso da dupla Eduardo Campos- Marina Silva, provocariam reações entre os petistas, pelo fato de ambos já terem participado, Marina do PT e do governo Lula, e Eduardo, com seu PSB, igualmente do governo do ex-presidente e da presidente Dilma do qual há pouco se desligou, seriam apontadas como traição, não demorou. Inclusive com uma crítica perigosa do hoje importante petista paranaense, André Vargas, vice-presidente da Câmara dos Deputados. Isso por que, faz ele referência ao grande volume de recursos que o governo liderado por seu partido, descarregou em Pernambuco. Afirma André: todos nós fazemos parte de um mesmo projeto político. E questiona: Como é que o Eduardo vai falar para o eleitor do Nordeste que mudou de lado depois do aporte astronômico de recursos feito pelos governos Lula e Dilma em Pernambuco? Para André essa é a razão da boa aceitação do governo Eduardo Campos que se reelegeu com mais de 80% de aprovação dos pernambucanos. Pode o prócer petista ter razão em sua avaliação. O problema é que ao fazer essa análise, abre o flanco da candidatura petista em seu estado: o Paraná. Uma das críticas feitas pelo governador paranaense ao governo federal, atual, é o paupérrimo repasse de recursos especiais repassados ao Estado, além das dificuldades criadas na liberação de empréstimos vultosos obtidos em negociações nacionais e internacionais. Isso, no momento em que o Paraná é representado em Brasília por André, com a expressiva posição que ocupa, além de três ministros, ocupando posições chaves no governo Dilma. Certamente essas dificuldades vividas por Beto Richa, com reflexos em seu governo, serão debitadas a esses representantes paranaenses, inclusive a própria candidata, Gleisi Hoffmann. A situação lembra o ex-senador Andrade Vieira que brincava: jacaré não vai pro céu porque tem boca grande.

Ainda os Diários Secretos

Os problemas desnudados por jornal curitibano na Assembleia Legislativa, através denúncias que receberam a denominação de escândalo dos Diários Secretos, voltam a ter desdobramentos. Depois da prisão de dois ex-diretores já julgados e a expectativa de julgamento do terceiro, o juiz da 2ª. Vara da Fazenda Pública de Curitiba acaba de aceitar denúncia contra os dois deputados que presidiam a secretariavam a Casa de Leis no período.

Escolha questionada

Igualmente a eleição realizada na Assembleia Legislativa e que tanta celeuma causou, ao conduzir para o cargo de Conselheiro do TC o deputado Fábio Camargo, filho do ex-presidente do Tribunal de Justiça, hoje afastado da função pelo CNJ, exatamente no momento em que o governo negociava acesso aos depósitos judiciais, o que acabou não ocorrendo mas, suficiente para caracterizar suposto tráfego de influência, está sendo questionada.

Contestações

Além da posição do Ministério Público Federal que contesta a eleição do Tribunal de Contas realizada na Assembleia, há o mandado do empresário Max Schrappe que disputou o cargo e ingressou com bem fundamentado mandado de segurança, igualmente questionando a eleição, junto ao Tribunal de Justiça. Até o final da tarde de ontem, o TJ não tinha se manifestado sobre o rumoroso caso.

Em choque

Apesar dos protestos dos petroleiros, a licitação do campo de Libra, foi realizado. Os números divulgados são fantásticos. Espera-se movimentar nos próximos 30 anos, mais de R$ 3 trilhões de reais; gerar 80 milhões de vagas e pagar bônus a serem investidos em educação e saúde de R$ 30 bilhões. Apesar da Petrobras ficar com 40%, no único consórcio concorrente nenhuma das maiores empresas do setor  participou. Shell, Total e duas estatais chinesas com 10% cada, dividirão as responsabilidades de produção desse poço gigante. Como os prazos são de 30 anos,  quem viver verá!