Posturas equivocadas

Ao contrário do que aconteceu em meados do século passado com um presidente da República no Brasil, general Eurico Gaspar Dutra que passou pelo governo sem deixar grandes marcas, que perguntado como estava vivendo, identificou sua nova fase de vida com a expressão: está crescendo grama na frente de casa, comprovação prática de que, como reza a sabedoria popular, rei morto, rei posto. Isto é, o poder é volátil. Perdido, perde-se o séquito. Viva o novo Rei! Esse intróito é para mostrar que as posturas do presidente Lula que custa a desencarnar,  parece não entender que suas intervenções estão gerando problemas para sua sucessora, na medida em que ela, apesar das notórias diferenças, acaba parecendo ter um primeiro ministro. Suas intervenções recentes, das quais a presidente Dilma parece tentar manter distância, até para confirmar o seu comando, tem demonstrado além do mais, uma arrogância antes não explicitada. No espaço  que o apresentador Ratinho lhe concedeu que,  tentará voltar ao poder (aí fez uma concessão) se a presidente Dilma não disputar a reeleição, afirmando em outras palavras mas claramente que não vou permitir que os tucanos voltem a mandar no Brasil, colocou-se como condutor da opinião nacional, além de se contrapor a um dos principais atributos da democracia: a alternância no poder. Uma vocação ditatorial. Com todo o carisma que inegavelmente possui, Lula tem cometido erros que podem transformar uma tentativa futura sua de retorno, numa verdadeira guerra com aqueles que começam a enxergar agora, perigosas características pessoais que não revelara antes. Além de comprometer o capital político que seu partido acumulou com também inegável participação sua. 

Eleição cara

Afunilam-se as conversações para composição das chapas que concorrerão às próximas eleições municipais nos 399 municípios do Paraná. Os partidos correm contra o tempo! Pelo menos em Curitiba, uma experiência no TRE: a identificação do eleitor pelas impressões digitais. Uma eleição cara como se vê, com equipamentos de última geração.

Resquício a ser banido

Nada disso, além da igualmente cara estrutura eleitoral hoje existente no Brasil, seria necessário, se a nossa incipiente democracia tivesse copiado os melhores modelos do mundo que, justificando a característica desse regime de maior liberdade, não obrigam o cidadão a votar. O voto obrigatório é um resquício ditatorial que deveria ser banido.

Contra-mão

Verdade que o momento não é bom parta se eliminar o voto obrigatório. Com o desencanto do eleitorado, seria bem possível uma abstenção capaz de invalidar o processo eleitoral. A política hoje anda na contramão do anseio popular. Para provar isso basta a informação de que o Brasil terá mais 3,6 mil vereadores.

Instrumento inusual

A pergunta que cabe: para que? Um plebiscito, instrumento pouco usado na democracia brasileira,  provaria que se a vontade popular prevalecesse, ao invés de aumento do número de cadeiras, a redução seria privilegiada.  E não apenas nas câmaras municipais…

FOLCLORE

Foi dito acima que Dutra fez um governo amorfo, sem deixar grandes referências. Uma inverdade. Deixou sim: sua ojeriza por jogos de azar, especialmente um que, pelas suas características da época chegava a ser ingênuo, por permitir apostas de centavos, com a certeza de recebimento de apostas vencedoras. Isto com um papel sem timbre que identificasse origem: o jogo de bicho. Proibido, virou instrumento de corrupção policial e outras conseqüências como se vê agora. Num país em que um órgão oficial – a Caixa – é o maior cassino virtual do mundo. Segundo consta por uma intervenção da esposa do Presidente, penalizada com a situação de sua doméstica que reclamava do vício do marido por jogo. Verdade ou não, a decisão combina com o estilo de Dutra. Uma expressão facial tão amorfa como seu governo.