Preocupação crescente

O clima de preocupação no Palácio do Planalto em relação aos problemas enfrentados pela economia, colocando em evidência o mau humor do empresariado, faz com que Lula assuma neste momento um papel de algodão entre cristais, retomando o diálogo com a classe,  evitando a exploração dessa insatisfação do setor produtivo pelos candidatos da oposição. Coisa que já deve começar a ocorrer no dia 25,  dia em que o PSDB promoverá no Congresso uma sessão solene para comemorar os 20 anos do Real.  Esse plano iniciado no governo de Itamar Franco que tinha Fernando Henrique no Ministério da Fazenda e que recuperou a economia brasileira, nos mandatos seguintes,  vencendo a inflação desenfreada, é um  dos pontos em que Aécio Neves vai ancorar sua campanha. Lula por seu lado, tenta desde sua viagem aos EUA, o que o obrigou a estar ausente nos festejos de aniversário do PT, convencer o empresariado de que ninguém precisa ter medo de investir no Brasil. Contrariamente ao que afirmou lá, por aqui o que os empresários insatisfeitos pedem uma estabilidade maior, com menos intervencionismo governamental na economia. Um dos líderes da campanha movida por empresários em 2002, por ocasião da divulgação da Carta ao Povo Brasileiro, em que havia compromisso explícito de Lula visando acalmar o mercado financeiro, Lawrence Pih,  entende ser Lula um homem capaz de dialogar, enquanto Dilma é uma economista  keynesiana-socialista (seja lá o que queira dizer com isso). A posição de Pih demonstra que Lula vai precisar usar seus dotes de encantador de serpentes, para acalmar os ânimos. Uma certeza existe: o ex-presidente não diz sim, nem não, quanto a manter os comandantes da economia atual. É uma decisão que Dilma vai ter que tomar sozinha. 

Razões visíveis

Um dos motivos do afastamento do empresariado brasileiro do governo atual certamente tem a ver com a aproximação excessiva com os governos esquerdistas e de vocação ditatorial das Américas. As notícias que chegam da Venezuela, parceiro predileto do governo brasileiro atual a ponto de ter seu presidente Maduro eleito presidente do Mercosul; as negociações com  Cuba realizadas com dinheiro do BNDES, a todo instante escorado financeiramente pelo Tesouro Nacional, têm causado desgaste na imagem governamental junto ao empresariado que luta com  dificuldades. Sem falar no modelo que parece estar sendo seguido, praticado na exaurida economia Argentina.

Cargo rejeitado

O sinal amarelo acendeu no Palácio pela dificuldade encontrada pela presidente para nomear um novo ministro de Desenvolvimento, na saída de Fernando Pimentel. As opções consultadas  não aceitaram o cargo, obrigando Dilma a nomear Mauro Borges Lemos como ministro interino. Num país em que não falta gente à procura de promoção através de cargos, é um mau sinal.

Artigo de exportação

Um questionamento levantado pelo leitor e médico Murilo Schaefer, ao questionar se seriam realmente só médicos ou assistentes de saúde, os cubanos importados pelo programa Mais Médicos, remete à seguinte questão: quantas fábricas ou faculdades de medicina existem em Cuba a ponto de formar milhares e milhares de médicos destinados ao mercado externo, transformando-os em artigos de exportação daquele país! Nas condições trabalhistas que hoje se conhece!

Modelo eleitoral a ser mudado

O corte nos convênios municipais que respondem por 40% das transferências voluntárias do governo a municípios do Paraná, condicionados à apresentação de projetos, prova a necessidade de as eleições serem conjuntas: federais, estaduais e municipais. Esperar que um prefeito derrotado em outubro deixe projetos prontos para o adversário sucessor,  em janeiro, é acreditar em cavalo com chifre (normalmente deixa dívidas). Primeiro ano perdido no modelo atual  e no seguinte, normas eleitorais  limitadoras a convênios, resultam nas dificuldades que os municípios hoje vivem.