Preocupação válida
Os legislativos, impedidos no regime de exceção de versarem sobre matérias que implicassem em ônus para os poderes executivos, perderam muito de suas importâncias, ficando reduzidos a por iniciativa própria, só nominar ruas, conceder títulos de cidadania honorária e votar utilidade pública para entidades. Isso nas áreas municipais. A solução foi aproximarem-se mais dos executivos, transformando-se em auxiliares de luxo dos prefeitos municipais, encarregados da defesa de seus projetos junto à comunidade. Claro que a custa de benesses que lhes garantissem a próxima eleição. Além de cumprirem também ações sociais e junto às entidades de saúde, suprindo as dificuldades enfrentadas pela população, graças a suas influências. O mesmo acontece nos âmbitos estaduais e nacional. Tanto que quase todos os deputados têm estruturas de atendimento médico, com acertos à parte com hospitais e casas de saúde. A concessão de títulos a entidades dedicadas à filantropia, e ONGs, despertou a preocupação do deputado Caíto Quintana (PMDB). Quer ele saber, das centenas que hoje detém a certificação estadual, quantas efetivamente estão atuando. Como ao serem aprovadas passam a contar com o direito de ter acesso a dinheiro público, que sejam obrigadas a publicar na Internet suas prestações de contas. Sem dúvida uma medida salutar. Especialmente quando se sabe que as entidades ao obterem também a Utilidade Pública federal, passam a ter as contribuições recebidas, descontadas no imposto de renda das pessoas ou entidades doadoras. O assunto surge na Assembleia, e deveria estender-se às câmaras municipais e também à federal. Afinal, como se está cansado de saber, este é o país do jeitinho e não se caracteriza pelo excesso de seriedade.
Confusão encerrada
Um assunto que durante meses agitou a política de Ponta Grossa acaba de chegar ao fim. A vereadora que, supostamente, se auto-sequestrou para não comparecer à sessão que elegeria a nova Mesa Diretora da Câmara, depois de inúmeras peripécias, renunciou. Ana Maria Holleben,. petista como o irmão deputado estadual, viveu um cerdadeiro drama que culminou com sua renúncia, dez minutos antes da instalação da sessão da Comissão Processante que iria votar a sua cassação.
Mais confusão
A situação de Ana Maria é mais uma conseqüência do agitado clima vivido na política do Paraná, em que, prefeitos foram cassados e outros ainda estão sob ameaça. Inclusive uma situação vivida agora em Palmas, sudoeste do estado, exigiu um acordo entre as partes interessadas (Juiz, Promotor, Presidente da Câmara e segundo colocado na votação). Tão sigiloso que ninguém pode falar sobre tal entendimento sob pena de multa. Com a cassação do prefeito João de Oliveira (PMDB), o presidente da Câmara adonou-se do cargo. A decisão agora determina posse do segundo colocado, Hilário Andraschko (PDT).
Justiça tardia
As situações vividas na política brasileira a têm a ver com a morosidade do Judiciário, inclusive em sua área eleitoral. A frase Justiça tardia não é justiça, definitivamente foi inspirada no Brasil. Agora, por exemplo, o STF está autorizando a abertura de um inquérito contra o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT). Em função de envolvimento de sua administração na ANVISA (2007/10) com grupo farmacêutico acusado de fraudes, formação de cartel e sonegação fiscal.
FOLCLORE POLÍTÏCO
Passando na semana passada pelo norte pioneiro, o colunista que conhece todo o Paraná, lembrou-se de personagens da política da região: Gabriel Manoel, Agnaldo Pereira Lima, José Afonso, entre outros. O primeiro, marcando sua passagem no Legislativo estadual por frases como, na sombra do meu cavalo, vagabundo nenhum faz picnic, defendendo seu feudo político. Ou, ao citar uma frase atribuída por ele a Magalhães Pinto, cobrado não ter sido esse o autor: Se não disse, pensou!
