Previsões equivocadas

Acossado por posições e declarações que se contradizem, o ministro Guido Mantega parece estar pressionado por vários francos. Ainda agora ao anunciar que uma pequena correção não vai atrapalhar ninguém, referindo-se ao aumento dos combustíveis, num país em que a maioria das cargas é transportada por rodovias, ou nas cidades, por transporte coletivo. Movidos à gasolina ou diesel.A cascata de aumentos que advirá, na medida em que os custos serão repassados aos consumidores, vai impactar também na inflação que, não por acaso já se anuncia acima da expectativa governamental. O que aliás não se constituirá em novidade, já que nenhuma das previsões anteriores, de crescimento do PIB ou da inflação, atenderam às previsões. Em 2012 por exemplo, contra um crescimento de no máximo 2% previsto pelo mercado, Mantega sustentou que o país chegaria a 4%. Nem a 1% chegou! A confiabilidade nas afirmações é fundamental para o bom humor dos investidores, o que por sua vez  tem influência decisiva no crescimento da economia como um todo. Quem é desse tempo sabe que durante o período revolucionário, uma situação que colocou frente a frente a opinião de dois ministros, Karlos Rischbieter e Delfim Neto, embora tenha custado o cargo de ministro da Fazenda que o paranaense ocupava, acabou dando razão a ele. Afirmava o realista Karlos que a inflação naquele distante ano chegaria a 16%. Delfim igualmente forte no Planejamento garantiu que não passaria de 11 ou 12%. Mesmo manipulado, depois da saída de Rischbieter o dragão ultrapassou sua previsão. O mesmo acontece agora, especialmente com o câmbio, em que o Ministro da Fazenda e o Banco Central, não falam a mesma língua. Com prejuízo para a credibilidade do governo!

Noticiário fraco

Ainda sob o impacto do Carnaval que esvaziou o noticiário do cenário político, algumas situações ainda sobraram, especialmente na disputa nacional que se anuncia. Mostrando que não está brincando em serviço, enquanto a atabalhoada oposição (leia-se PSDB) se perde no apoio a Henrique Alves em troca de um cargo na mesa da Câmara, quem avançou foi Eduardo Campos, governador de Pernambuco (PSB).

Ocupando…

Entre outras posições, como a disputa que patrocinou contra a escolha de Henrique Alves, saiu em defesa do procurador Geral da República que dias antes da eleição no Senado, levou ao Supremo, denúncia contra Renan por três crimes. O que lhe valeu a ameaça de um impeachment, através CPI do Senado.

…espaço

Aécio Neves não se manifestou, enquanto senadores tucanos votaram em Renan. Já Eduardo Campos tomou posição: Não vejo nem conheço, nem o país conhece, nenhum fato objetivo que venha a incriminar a ação do procurador (Guergel). Com o respaldo que o procurador e o presidente do STF, adquiriram junto à opinião pública pelo julgamento do mensalão, a impressão que fica é que o governador pernambucano somou pontos.

2014

A reforçar essa convicção, o esforço feito por petistas para atrair Eduardo Campos para a chapa de Dilma, em 2014. Inclusive uma candidatura de Michel Temer ao governo de São Paulo, com apoio de toda a base atual do governo federal está sendo cogitada. Esbarra no comando do PMDB que sabe não ter Temer popularidade para tanto, e na afirmação de Campos de que não tem vocação para vice.

Sinal amarelo

A visita da presidente Dilma ao Paraná – Cascavel (Show Rural) e Arapongas (assentamento do MST), com promessa de R$ 342 milhões para a agroindustrialização de núcleos de assentados, seguida de reuniões com a CUT, mostra que a presidente saiu da sua zona de conforto.

Em choque

Por aqui, o cenário político, depois das posses de Reinhold Stephanes, Ratinho Jr. e Cezar Silvestri, continua inalterado. A expectativa é que o longo noivado entre o governo Beto Richa e o PMDB, acabe num final feliz. O nome de Luiz Eduardo Cheida para o Meio Ambiente continua em alta, agora reforçado pela concordância do governador de demitir todos os diretores atuais.