Promessas vãs
A relativa liberdade que se tem hoje, na incipiente democracia que se pratica no país, faz a alegria de jornalistas como Cláudio Humberto, Elio Gaspari, bem informados e de texto irônico. Sem falar no macaco Simão da Folha e da Band, com até um pouco de exagero em seu humor. Com a liberdade que lhe dá o âncora Ricardo Boechat, muito mais livre, ele próprio, em comentários no jornal da manhã, radiofônico, que no da noite, televisivo. Pois o cenário político se presta a comentaristas como eles. Promessas como a do trem-bala, que já consumiu alguns milhões de reais em projetos, são depois abandonados numa gaveta. Trem-bala que já levou o diretor da Valec, Doutor Juquinha, à cadeia. Outro exemplo de promessa não cumprida é o aumento de realizações anuais do Enem, projeto que o hoje prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, quando ministro da Educação, prometia ampliar, acabando com o vestibular que obriga um jovem de 18 anos a jogar um ano de sua vida numa manhã de prova. Não mudou e não vai mudar. No caso do trem bala, ainda bem que não saiu do papel. Há projetos mais importantes necessitando de investimentos. Pena que muitos desses recursos foram encher as burras da FIFA e de empreiteiras, ao invés de aplicados na sucateada infraestrutura brasileira. A depender porém dos governantes essa liberdade que hoje se usufrui nos veículos de comunicação não durará muito. Manietar a imprensa não sai da cabeça de gente do governo. Inclusive a Internet, com novos recursos a cada dia, permitindo uma comunicação que atinge especialmente aos jovens, mesmo que com pouco diálogo, está a perigo. Na Câmara Federal a discussão passou mas poderá ser alterada no Senado, dando poder de censura aos governantes. Logo ela que mostrou sua força na convocação de marchas de protesto, logo abafadas pelos black blocs. Esses exemplos trazem ao colunista uma frase de seu falecido pai, que foi de maestro de banda a vereador e prefeito em pequena cidade do interior paulista (num tempo em que vereador não tinha salário e prefeito era cargo de sacrifício). Dizia ele: Alguns políticos em campanha prometem ‘mundos e fundos’. Não raras vezes deixam o eleitor com ‘os fundos imundos’.
Convivência…
A afirmação da ex-senadora Marina Silva, ainda mais cotada que os candidatos atuais da oposição mas impedida de disputar a Presidência, emprestando seu apoio a Eduardo Campos, ao desprezar o apoio do deputado e ruralista Ronaldo Caiado, generalizando o setor como inimigo histórico, não repercutiu bem. Embora como ecologista veja excessos na atividade agrícola, que precisa de espaços a qualquer preço, não pode desconhecer o quanto a economia do país deve ao setor rural.
…difícil
No que a atividade agrícola, que mesmo em condições relativamente adversas como neste verão produz safras cada vez maiores, depende de governos para movimentá-las, ou aos portos, ou aos centros de consumo, está sempre mal servida. Como dito acima, temos estádios de primeiro e estradas e portos de terceiro mundo.
Ideias
A cada dois anos, com o assunto ‘eleições’ voltando à baila, é tempo de repetir certas ideias. A coluna defende que os partidos, todos (32 atualmente), sejam obrigados a ter candidatura própria. Para Presidente, governador e prefeito. Coligação para eleições proporcionais e voto de legenda, nem pensar. Deputados eleitos, os mais votados. Coligações só seriam permitidas depois, para garantir a governabilidade, respeitando-se a filosofia partidária constante no programa do partido. Sem fundo partidário e sem tempo dito gratuito de TV e rádio, vendido a preço de ouro pelos partidos de aluguel. Pelo menos uns 25 deles se extinguiriam.
Em choque
Essa tese, se implementada, forçaria a união de pessoas defensoras de ideias semelhantes, não esse aglomerado amorfo em que se transformaram os atuais partidos, unidos mais das vezes por interesses comuns inconfessáveis.
