Remédio forte
A decisão da presidente Dilma foi recebida com reservas por alguns setores. Inclusive por um grupo pelo qual a esquerda tem manifestado especial predileção, embora para os legalistas, seja subversivo: o MST. Ninguém se esquece do dia em que o presidente Lula recebeu em Palácio seus representantes, os quais colocaram em sua cabeça um boné do movimento. Daí terem seus líderes divulgado uma carta aberta repudiando a decisão da presidente, suspendendo por trinta dias repasses a ONGs, em função da série de denúncias envolvendo o terceiro setor, embora ao que se saiba o Movimento não tenha figura jurídica e assim sendo não pudesse se beneficiar de benesses oficiais. É uma medida extrema, de validade duvidosa. As ONGs e OSCIPs sérias têm prestado inestimáveis serviços ao país, em áreas que a incompetência do governo não alcança. São dezenas de milhares. Grande número delas, sem benefícios do governo como a instituição criada pelos ex-jogadores Leonardo e Raí, dando oportunidade esportiva a centenas de meninos, sobrevivendo sem recursos oficiais. Confundida inclusive por uma beneficiada pelo Ministério do Esporte que se viu obrigada a trocar de nome, por ter-se apropriado do título da entidade formada pelos ex-campeões mundiais. Induzindo inclusive a Rede Globo a erro. Menos mal que o decreto governamental tem a preocupação de excluir da medida, programas de proteção a pessoas ameaçadas, convênios com mais de cinco anos que nunca tiveram irregularidades e transferências ao SUS. A medida pode ter sido exagerada, especialmente por generalizada, quando o foco está em entidades formadas por espertos, o que num país como o nosso em que a impunidade é regra, estimula-se o abuso a normas determinadas por governos com boas intenções, justificando a frase: de boas intenções o inferno está cheio.
Alhos e bugalhos
A coluna já defendera ONGs sérias que não poderiam portanto ser niveladas a essas detectadas com benefícios espúrios, mais das vezes com a conivência de políticos indicados pelo governo Lula e referendados pelo de Dilma (não só os deles). Não dá para confundir um programa como o criado pela Dra. Zilda Arns, Pastoral da Criança, com ONGs criadas por picaretas em entidades governamentais.
Caça (a todas) as bruxas
Ao tempo em que se investiga os convênios com sinais de irregularidades, que deveria ser estendida a todos os programas governamentais não só aos detectados com problemas que determinaram a queda de seus líderes, inclusive o Minha Casa, Minha Vida com denúncias do Fantástico, a busca e punição dos responsáveis coniventes nos Ministérios, deveria ser a tônica.
Momento complicado
A referência aos repasses ao SUS no decreto governamental ocorre num momento complicado. Quando o ex-presidente Lula vive um diagnóstico de câncer na laringe. Ensejando a seus adversários que, esquecidos que um homem com o seu currículo tem direito a um tratamento especial, lembrando seu pronunciamento de que o Brasil tem um dos melhores sistemas de saúde pública do mundo, sugerem que se valha dessa assistência dada aos brasileiros sem plano de saúde.
Perigo à vista
Especialistas defendem que o rigor na aprovação de projetos evitaria os problemas hoje vividos em relação ao terceiro setor. Entendem que é preferível rigor na licitação em que rastros de irregularidades são mais facilmente perceptíveis. Daí a preocupação com a simplificação dos mecanismos de controle, como o autorizado agora para as obras da Copa e das Olimpíadas, onde bilhões estão em jogo.
Em choque
Depois de ter acompanhado a luta titânica travada pelo ex-vice-presidente José Alencar contra um câncer na região abdominal que finalmente o venceu, o país viverá outro momento doloroso: a luta que Lula travará com a insidiosa moléstia que se manifestou em sua laringe. O que se deseja é que o otimismo dos médicos que o atendem, encontre resposta.
