República (ainda) de fachada

Talvez pela coincidência da comemoração de sua proclamação, várias situações brasileiras alternaram as avaliações sobre o desenvolvimento do país nestes 124 anos de República. Entre idas e vindas, certamente um saldo pouco representativo na medida em que, no aspecto político, muito terreno resta a ser conquistado para que nos tornemos um exemplo de regime democrático. Democracia que por várias vezes sofreu interrupções, dando margem a longos períodos de ditadura. A cada reinício, novas idéias do regime anterior incorporadas. Com o agravante de a cada vez, distanciarem mais o brasileiro da representação política. Ocorrem espasmos de redemocratização  como a decisão do STF, depois de tumultuada sessão, determinar a prisão imediata de todos os que têm penas a cumprir, situação que já se imaginava, não ocorreria. Ponto para um poder Judiciário que, além disso, atingido por punições oportunas impostas pelo CNJ, aos poucos tenta recuperar parcialmente  seu conceito que andava em baixa. Em contrapartida, no Legislativo,  vota-se uma mini-reforma eleitoral que em nada colaborará para a melhoria dos costumes políticos. Ao revés. Comprovará o corporativismo das Casas de Leis nacionais, na contramão das manifestações populares. Enquanto isso, o Executivo aumenta seu poder, fugindo ao preceito constitucional de independência dos demais, concentrando recursos e decisões. As próprias reações esboçadas em Brasília pelo Legislativo em atitudes de rebeldia, nos últimos dias, são a comprovação disso. Definitivamente o caminho incerto para uma República que se consolide como tal.  

Lixo  e …

A necessidade de acordos que levem ou mantenham o poder promove situações inusitadas, por vergonhosas. Caso da tentativa agora de se empurrar para baixo do tapete o lixo grosso e fétido produzido nas últimas semanas em São Paulo.

…acordos…

O ex-prefeito Gilberto Kassab, reagindo a críticas ácidas do prefeito petista Fernando Haddad em torno da corrupção violenta ocorrida no período anterior que adentrou seu governo, reproduzindo  expressões como  ‘descalabro’ e ‘degradada’ como sendo o estágio em que Marta Suplicy entregou a prefeitura paulistana a Serra (Kassab de vice) em 2005.

…fétidos

A necessidade de manter Kassab, seu recém fundado PSD na base do governo Dilma com seus 42 deputados e tempo de televisão vital para 2014, fez com que Lula é lideranças do PT entrassem em ação,  contendo o ímpeto denuncista de Haddad e conseguindo um recuo de Kassab. São os sinais de que muito falta em vergonha e caráter para que se chegue a uma democracia de verdade.

Versões…

Dizia Tancredo: a versão vale mais que o fato. Duas versões correm o Paraná em relação ao encontro Dilma-Beto Richa. A liberação dos R$ 817 milhões do Proinveste, garantida por Dilma é uma delas; a criação de uma linha direta entre Dilma e Beto, sem intermediários (interessados em tumultuar as situações – leia-se Gleisi Hoffmann – é outra).

…variadas

A outra versão, em sentido contrário, fala de uma negativa de Dilma em aceitar a proposta de alongamento do período de contrato com as concessionárias  do pedágio, para se obter redução do custo e mais obras. Dilma segundo essa versão, pretende que ao final das atuais concessões, no longínquo  2021 (quem estará no governo!), novas licitações sejam feitas, mais baratas e mais produtivas. Até lá, o Paraná que banque novas obras.

Em choque

A negativa de Dilma, a ser verdadeira,  deixa o estado num impasse: sem recursos para investimentos, já que desde longa data até aqui, mesmo com o oneroso pedágio implantado, só 20 quilômetros de duplicação por ano tem ocorrido; sem os financiamentos obtidos e não liberados, pelo menos para serem usados neste mandato; com os empreiteiros acossados com o aceno dos contratos, só tentando ganhar mais e investir menos, o futuro rodoviário do Paraná até 2021 não será nada promissor.