Resvalões jurídicos

É claro que com a grande experiência dos ministros do STF nos meandros do direito,  alguns aspectos da defesa feita pelos advogados dos mensaleiros, não passarão desapercebidos: cada defensor  a seu estilo mas todos tentando provar a inexistência de provas contra seus clientes, ao contrário do que afirmou o Procurador Geral em sua denúncias. Para quem mantém conta em banco e por vezes necessita de um empréstimo, se não tiver uma sólida retaguarda de bens que garantam a operação ou bons avalistas, é claro que o dinheiro, por menor que seja, não sairá. Os empréstimos milionários negociados por Marcos Valério, com aval de José Genoino que, segundo seus advogados, se não chega a não ter onde cair morto, anda próximo. Igualmente o modestíssimo Delúbio Soares, o outro avalista das operações. Chama a atenção Genoino e Delúbio avalizarem empréstimos de milhões, um sem ler e sem que os Banco Rural e BMG examinassem seus cadastros. . Como se sabe que bancos não são  instituiçãões de caridade; longe disso, as justificavas soam mentirosas. Além disso, afirmar que os empréstimos se destinavam a pagar dívidas de campanha, pois todos sabiam que as finanças do PT estavam em frangalhos, também é  estranha. As dívidas eram com o PTB de Roberto Jefferson que recebeu alguns milhões; ou com o deputado presidente do PL, hoje PR, o notório Valdemar Costa Neto, cuja ex-mulher afirmou alto e bom som que ele recebeu pagamentos? Além de outros partidos e pessoas físicas.  Se bem observado, nas cinco defesas feitas no primeiro dia, inclusive a admissão de que houve caixa 2, muitas afirmações livravam uns e comprometiam outros. Como o compromisso de cada um dos regiamente pagos advogados (honorários de R$ 500 mil a R$ 6 milhões)  não são apenas os minutos de glória  ( espaço destinado é 1 hora) que lhes interessam; querem sim embolsar o suculento pagamento. Acaba ficando cada um por si e (espera-se) Deus pelo povo É até provável que alguns dos 150 advogados (na frente da câmera da TV Justiça desfilarão apenas 38) possam ter feito um contrato de risco. O certo é que à medida que as defesas forem se sucedendo, conflitos de informações ficarão visíveis. Pelo visto na segunda-feira, dá sim para esperar um resultado que lave a honra da política brasileira.

Dos pesos, duas medidas

Um outro aspecto a ser explicado. Delúbio fala em dinheiro não contabilizado. Como fica então a exigente Receita Federal tão inclemente com o contribuinte comum, ao qual qualquer falha é punida com multa, juros e correção monetária. Imagine-se a quantas andaria esse dinheiro levantado à época! São 7 anos de correção. Se não cobrar fica desmoralizada perante a opinião pública.

Reforma já!

Independente do resultado desse fantástico julgamento jamais visto no cenário jurídico brasileiro, sobrará a necessidade imediata de uma reforma política abrangente, que não mais permita ações como essa alegada  pela defesa dos supostos mensaleiros. Aceitar o transgressor como vítima do sistema, embora se o saiba eivado de falhas e brechas, é ridículo, para se dizer o mínimo.

Liberação  festejada

Pelo menos o candidato a prefeito pelo PT de São Paulo, tem que comemorar  a liberação de Lula pela sua equipe médica, para que possa participar das campanhas. Com Fernando Haddad, Lula tem compromisso de honra por ter atropelado companheiros para impor a candidatura de seu ex- ministro da Educação. Aos outros candidatos, como Gustavo Fruet, restará a possibilidade de participação, a depender de sua (Lula) agenda.

Em choque

Está provado agora que o PT, quando chegou ao governo, tenha decidido comprar o apoio de partidos, cometeu um erro crasso. PMDB, PTB, PR e outros menos votados estarão sempre onde estiver o poder. Menos o Psol e outros mais radicais. Beto Richa que o diga!

(Esta coluna tira uma semana de folga).