Reunião inócua
Quem acreditar que a deteriorada relação que ocorre na base do governo petista, de há longo tempo, terá sido solucionada com uma única reunião entre a presidente Dilma, seu novo Chefe da Casa Civil e o vice-presidente Michel Temer, os presidentes do PMDB, Valdir Raupp, e os da Câmara e Senado, Henrique Alves e Renan Calheiros, mais o líder no Senado, Eunício Oliveira, ou não entende de política ou será mais ingênuo que o Pangloss do Voltaire, duas hipóteses em que políticos não se enquadram. No popular, o buraco é mais embaixo. Deixar de fora o líder do PMDB, Eduardo Cunha, que foi levado ao centro do furacão, transformando-se no porta-voz dos descontentamentos por falta de diálogo e atendimento de deputados de todas as denominações, até do PT, é uma estratégia que não dará certo. O anúncio de que em seis estados o partido governista (PT) abrirá mão em favor do interesses de líderes peemedebistas, caso do Maranhão de José Sarney, que nem senador pelo estado é, só faz repetir mais do mesmo; são esses os estados cujos representantes, presentes à reunião, não tem do que se queixar no atendimento governamental. Daí a presunção de que o assunto está resolvido como tentou deixar transparecer o vice-presidente Michel Temer, vai uma grande distância. No Rio de Janeiro, por exemplo, o PT não abre mão de ter candidatura própria. Aqui no Paraná, e quem garante isso é o presidente da secção regional peemedebista , deputado Osmar Serraglio, não há chance de coligação do partido com o PT. No Rio Grande do Sul, onde Temer fez a afirmação otimista, seus correligionários reúnem-se no final de semana para definir o candidato que irá se defrontar com Tarso Genro (PT), que pleiteia a reeleição. Como se vê, a reunião ocorrida no domingo em Brasília, embora o aparato de que se revestiu, não passou de um vistoso desfile de carros pretos luxuosos chegando para o encontro com Dilma. Sem resultado positivo!
Espaço e recursos
No centro das reivindicações dos deputados revoltosos, não está apenas a exigência do PMDB por mais espaço no governo (leia-se mais ministérios). Há também emendas parlamentares anteriores não pagas, além do corte de R$ 13 bi nas de 2014, comprometendo as reeleições de parlamentares. Além é claro do estilo pouco amistoso da presidente e seus ministros com os seus apoiadores no Congresso.
Mudanças inesperadas
As mudanças no governo do Paraná, com a entrada de Luiz Eduardo Sebastiani no lugar de Jozélia Nogueira, na Secretaria da Fazenda e com Leon Grupenmacher assumindo a Secretaria de Segurança, mesmo que imprevistas, podem trazer alguma tranqüilidade ao governo Beto Richa em duas áreas importantes.
Demanda maior
Sebastiani, economista por formação, está otimista em relação ao grande desafio que assume. Com larga experiência desde sua participação na área, quando Beto prefeito de Curitiba e passagem por vários cargos no governo, já que um verdadeiro coringa da atual administração, sabe que a demanda é sempre maior que as possibilidades financeiras, mas temos como adequar essa questão.
Solução: boa vontade federal
Basta que se consiga nos próximos dias ter o governo acesso aos diversos financiamentos nacionais e internacionais que estão pendentes, por evidente má vontade do governo federal com o Paraná, visto como inimigo por contar com um ocupante do Palácio Iguaçu, que o PT ambiciona, que não reza pela cartilha petista, e a missão de Luiz Eduardo estará facilitada.
Em choque
Igualmente, se os financiamentos forem liberados, Leon Grupenmacher terá parte de sua missão na condução da Secretaria de Segurança amenizada. Recurso é a palavra mágica que resolve grande parte dos problemas. Nesse caso uma situação não ficou bem explicada: a negativa do Ministério da Justiça em ceder o delegado federal José Alberto Iegas, nome inicialmente pretendido para ocupar a Secretaria. A justificativa para a negativa do ministro Cardozo teria sido política ou não poder prescindir de sua participação na Polícia Federal! Se a segunda hipótese, os demais delegados cedidos a mais de dez estados, eram dispensáveis! De qualquer modo, decisão infeliz.
