Revolta no campo

Negociação com governo num  país que não respeita contratos,  nunca é confiável, aprendem agora os agricultores familiares vinculados a cooperativas do setor, que têm contratos com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Desde janeiro os Fundos Municipais de Assistência Social assumiram a coordenação de recepção e distribuição dos produtos agrícolas produzidos pela Agricultura Familiar. Isso em função de 51 dos 126 contratos, administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apresentarem  alguma irregularidade. Mas, desde setembro, quando a Operação Agrofantasma da Polícia Federal prendeu 12 envolvidos em desvios, recursos não são repassados a algumas cooperativas e automaticamente, pagamentos não são feitos aos fornecedores. O PAA atende 4.5 mil pequenos agricultores no Paraná. Cada um pode receber, trabalhando muito,  até R$ 4,5 mil por ano – exatamente o que Delúbio vai receber por mês da CUT sem que se saiba exatamente o que irá fazer – o que equivale a R$ 375 reais/mês. Um dinheiro duro de ganhar e que faz muita falta. Desconhece-se maiores detalhes, pois o processo corre em segredo de justiça. O que se sabe é que a burocracia da Conab realizou uma varredura nos 126 contratos. As cooperativas colocadas sob suspeita têm 30 dias para apresentar defesa. À  partir daí os contratos são enviados a uma comissão de Brasília para análise. Enquanto isso, os agricultores ficarão fornecendo seus produtos, sem pagamento.  Alguns, ainda continuam entregando a escolas, hospitais, creches, suas cotas de beterraba, cebola, brócolis, couve-flor e repolho, mas um deles já anuncia: Não sou palhaço para trabalhar de graça. O que já plantei vou  jogar fora e não planto mais.

Contra-mão

Uma frase do Ministro do Trabalho, Manoel Dias ( PDT)  bem que mereceria entrar para o folclore político . Diz ele: Aí está o milagre brasileiro. O mundo todo está querendo saber como nós conseguimos, em paralelo a toda essa crise, gerar empregos. Isso no momento em que o Caged anuncia que em 2013, foram criados 1.117 milhão de vagas. O pior resultado dos últimos dez anos, um momento em que países do mundo começam a se recuperar e automaticamente gerar mais. O Paraná ficou em terceiro lugar nessa pesquisa, em função do bom desempenho do interior do estado.

Mais dificuldades

O otimismo do ministro Dias, não encontra ressonância junto ao empresariado, Especialmente pelo fato de vários longos feriados ocorrerem neste  2014, além dos que serão implantados pelos jogos do Brasil na Copa e pelo período eleitoral, que pelo menos em relação aos serviços públicos sofrerão enormes restrições legais. Obras que não estiverem em execução não poderão ser iniciadas.

Vão plantar batatas

Com a arrogância que lhe é peculiar, o presidente do Atlético Paranaense, que criara até uma Rádio oficial do clube para não dar satisfações à imprensa – uma espécie de Voz do Atlético – descarregou seu mau humor contra torcedores atleticanos que cobraram a saia justa em que a conceituada agremiação ficou, depois de ser exposta internacionalmente a incompetência registrada na construção do estádio para a Copa. Apontado inicialmente como o mais barato e mais rápido a ser ultimado.

Irritação injustificada

Embora ainda mais barato, do custo inicial de R$ 135 milhões, já vai para R$ 319 milhões. A irritação do mandatário que ao início, praticamente deu um chega pra lá nos demais parceiros, para ficar sozinho com os méritos, agora acusa a prefeitura curitibana e o governo, de não terem feito suas partes. De fato ambos se limitaram a indicar representantes que nada fizeram, acomodados na responsabilidade assumida por Petraglia

Em choque

Da força-tarefa de emergência agora formada para tentar salvar Curitiba do vexame total, com representantes da Prefeitura, do Governo, da FIFA, do Sinduscom, um que faltou desde o início das obras: representante do Ministério Público para acompanhar os gastos cada vez mais altos.