Semana decisiva

Estamos entrando na reta final do segundo turno, nas principais cidades do Paraná. No próximo domingo, Curitiba, Cascavel, Londrina, Maringá e  Ponta Grossa conhecerão os homens que irão decidir seus destinos por quatro anos. Decisão necessária em país cuja democracia ainda incipiente permite o surgimento de partidos políticos aos borbotões, sem ideologia, vivendo à custa de um inaceitável fundo partidário e comercializando os tempos que lhes cabem nos ditos horários gratuitos. De outra forma, com exigências maiores para implantação de partidos, sem apoio oficial anual, sem tempos de TV e rádio, o ambiente político seria diferente e menos imoral. A própria custosa Justiça Eleitoral não teria razão de existir com outras regras, inclusive a abolição da famigerada obrigatoriedade do voto. Enquanto as mudanças necessárias à moralização não ocorrerem, não bastam juizes para punir as malfeitorias, prolongadas pelos recursos de que a legislação penal brasileira é farta, como agora tardiamente o STF tenta fazer. Quem tem consciência de que o regime democrático pode ser a melhor forma de administração pública; de que o voto bem dado é uma arma que pode qualificar a política e os políticos;  quem confia enfim que o país pode melhorar, na medida em que os ocupantes de cargos eletivos sejam pessoas dedicadas ao bem comum e acima de qualquer suspeita, vai continuar votando. Como o faz este colunista, embora liberado de há muito! E sempre bom lembrar o ensinamento de Jaime Canet Jr., grande governador do Paraná (1975/79): Lugar não fica vazio; se o bom não o ocupar, outrosocupam.

Previsão sombria

Lamentavelmente a previsão em relação à qualidade das campanhas neste final, não é das mais otimistas. Vão sobrar maldades, difamações e eventuais atos de violência. O objetivo é a conquista do poder a qualquer preço. O que sobrará dessa disputa, se for levada a esse nível, será um mandato tenso e, mais das vezes improdutivo.

Apoios perigosos

Conseqüência da presença nas campanhas dos gênios do mal, aceitos pelos candidatos na medida em que entendem ser útil qualquer apoiamento. Raciocinando pragmaticamente que o voto do padre e o da prostituta valem igual. Expondo os candidatos que aceitam esse jogo ao dito popular: Para ganhar vale o apoio do Diabo; difícil é depois conviver com ele.

Calcanhar de Aquiles

Surgido da necessidade de investimentos na malha rodoviária federal que corta o Paraná, o pedágio, entre benefícios e  erros,  teve o custo excessivo aceito pelo governo Lerner.Calcanhar de Aquiles do renomado arquiteto, cuja fama como administrador de Curitiba em períodos de grande criatividade, ultrapassou as fronteiras do país. Sem o mesmo êxito em seu segundo governo estadual, pela citada implantação do pedágio.

Recursos oportunos

O assunto agora volta à tona na Assembleia do Paraná, de forma preocupante. Com denúncias e réplicas que tornam a discussão tensa e perigosa. Pelo menos, nesse cenário uma notícia boa: a liberação pelo governo de Beto Richa de R$ 52,7 milhões para investimento na malha rodoviária estadual nos próximos dois anos.