Semanas finais

O título de comentário anterior Agressividade crescente recebeu contestações por terem as passeatas organizadas na quinta-feira, menor adesão que as de junho. Em compensação cresceu a voltagem nelas exibidas. As pioneiras não tinham foco definido. Movidas pelo aumento das passagens no transporte coletivo, iam da corrupção à exigência de melhores condições de educação e saúde. Como lembra o Alberto Dines em seu artigo semanal, outras mudanças importantes tiveram início em manifestações aparentemente inexpressivas. Como também não passa batido ao colunista que a postura do governo ao não aumentar a pressão sobre os baderneiros que desvirtuam as manifestações, recuando do projeto que aumentaria as punições, é porque eles convém ao poder. As intervenções violentas dos black-blocs afastaram as famílias presentes às primeiras e mais espontâneas manifestações. A justificativa apresentada pelo secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, só convenceu aos mais desatentos. Daqui para a frente, nas três quintas-feiras que ainda nos separam da Copa, o foco dessas concentrações vai aumentar, incluindo interesses políticos. Tem pois razão o ex-presidente Lula em aumentar o nível de suas falas; tentando justificar os atrasos e os desvios milionários de recursos com a importância que o futebol tem para o brasileiro. Fanatismo que já foi maior na medida em que a presença de equipes famosas na televisão globalizada, com exibição de futebol espanhol, alemão, inglês, francês, Italiano, recheado de craques brasileiros, provam a decadência do que se exibe por aqui. Nem o padrão Fifa exigido para os estádios construídos para a Copa, uma das razões da revolta hoje manifestada por milhares, vai mudar o jeito do torcedor brasileiro hoje aparentemente mais propenso a levar suas  frustrações ao campo, com agressões a adversários, que à própria manifestação de amor ao clube. Resta esperar que o ministro Aldo Rebelo tenha razão e que aos poucos, o amor ao esporte e o clima de festa, se sobreponham à irritação do brasileiro com o que se viu antes da Copa.

Surpresas

Em poucos dias duas CPIs estarão funcionando em Brasília, com objetivos diferentes. A do Senado tentando esvaziar com a convocação de figuras importantes da Petrobras em questionamentos convenientes ao governo, a maior agressividade da CPI mista, mais ao gosto da oposição. Em todo caso, como muita coisa ainda está embaixo do tapete, algum incômodo pode aparecer ao governo e a políticos como os deputados André Vargas (PR) e Luiz Argôlo (BA) em suas ligações com o doleiro Youssef .

Mão na massa

Uma das curiosidades sobre a CPI chapa branca do Senado é a constatação do jornal O Estado de São Paulo (sempre os jornais a incomodar os políticos): quatro dos doze senadores que compõem a CPI da Petrobras foram financiados por empresas fornecedoras da estatal petroleira. A começar pelo relator da Comissão, José Pimentel (PT-CE) que recebeu R$ 1 milhão da Camargo Correa, líder do consócio que constrói a refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, alvo de suspeita de superfaturamento.

Contra o tempo

A tentativa do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Dias Tofolli, de fazer aprovar no pouco tempo que resta para aplicação agora,  uma limitação de gastos nas campanhas políticas em todos os níveis, seria extremamente benéfica para a moralização política. Embora admita que será difícil obter consenso para aplicação nas eleições deste ano. Fica assim valendo o que ele mesmo classifica como o céu é o limite.

Reformas em alta

Uma das falas do ex-presidente Lula, com sua voz ainda mais prejudicada por problemas de saúde, refere-se à necessidade das reformas que voltarão a ser tema das campanhas. Com doze anos no poder e pouca ação em torno desse que é um dos calcanhares de Aquiles do desenvolvimento brasileiro, falta autoridade a ele e sua continuadora a novas promessas sobre esses assuntos.