Semanas movimentadas
O senador Renan Calheiros, tem muito a agradecer ao deputado Marco Feliciano, novo alvo da ira popular por sua eleição a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Se bem que na opinião da coluna a culpa maior cabe a seu partido, o PSC, que conhecendo o perfil do candidato e algumas de suas opiniões que já causaram protestos anteriores, insistiu em sua candidatura que certamente retomaria as polêmicas. É a história de não prestar atenção ao que se disse, focalizada dias atrás, aqui. Esquece quem bate, não esquece quem apanha! Para Renan que até então era o alvo predileto da opinião nacional, foi um achado. Desviou a rota como soe acontecer nessas ocasiões em que, essa mesma opinião pública, qual guarita de aeroporto varia conforme o vento. Ainda agora chega a notícia externa de que, o deflagrar da campanha eleitoral na Venezuela coloca em segundo plano o velório de Chávez, embora ele seja o personagem a que se agarra o candidato situacionista a quem caberá, se eleito, o que é quase certo no clima emocional em que o país vive, conduzir a política bolivariana implantada pelo líder morto. Tudo isso repartindo espaço com a fantástica cobertura que os órgãos de comunicação dão à escolha do novo Papa, a quem caberá conduzir a Igreja Católica a novos rumos. Ou como esperam os conservadores, manter tudo como está. Neste caso, fica patente no entanto, que o catolicismo como força ainda é predominante, não obstante problemas mundanos que o período tumultuado vivido pelo renunciante Bento XVI enfrentou.
Luta retomada
Enquanto tudo isso acontece, o Paraná, com pouca repercussão aqui dentro, retoma sua luta para embutir na discussão nacional provocada pelo veto da presidente Dilma ao projeto que muda a forma de distribuição dos royalties do petróleo, motivo da insatisfação do Espírito Santo, Rio e São Paulo, medidas que sempre o prejudicaram. Além da ameaça de retaliação ao Paraná (de novo) aos royalties da energia, mobilizando o governador Beto Richa e o secretário Luiz Carlos Haully, em Brasília.
Estado sem História …
Poucos estão lembrados (até porque por aqui pouco se valoriza a história do Estado, nem mesmo a mais recente, o que este escriba ao produzir alguns livros sobre fatos mais atuais sentiu na carne), que na Constituição de 88, aquela dita Cidadã mas que para este estado foi madrasta, um artigo seu determinava que para a exploração de petróleo (Rio, São Paulo e Espírito Santo) e geração de energia, o ICMS seria cobrado na fonte de consumo. Só isso determinou ao estado um prejuízo anual superior a R$ 600 milhões.
…e sem força política
Some-se a isso, como lembra agora o secretário Haully, tivemos a imunidade do papel imprensa em que o Paraná tem destaque (Klabi, Inpacel, entre outras) e a famosa Lei Kandir que desonerava os artigos de exportação, com destaque para a soja e o milho. A compensação sugerida nunca compensou as perdas registradas. Tudo isso e mais algumas outras medidas, estão na revisão do pacto federativo pelos quais o Paraná deve lutar.
Ensino prejudicado
Acrescente-se ao fato de por ter uma única e pioneira Universidade Federal, enquanto Minas tem 12, Rio Grande do Sul, e Rio de Janeiro, 8, o Paraná viu-se obrigado a bancar, inicialmente três (Londrina, Maringá e Ponta Grossa) e posteriormente mais três universidades estaduais a um custo anual superior ao prejuízo da energia.
Em choque
Para o colunista, todas essas perdas são fruto da falta de identidade do Paraná. Pela sua formação étnica eclética, com colonizações estrangeiras que apenas agora começam a ter uma identidade paranista, e suas colonizações internas dominadas por catarinenses e gaúchos no sudoeste, oeste e dali para cima até Mato Grosso e Rondônia (o gaúcho leva o Rio Grande no coração e nos costumes), mais a do norte, por paulistas e mineiros, apenas agora o Paraná começa a ser dominado por uma geração genuinamente paranaense. Em grande parte isso contribuiu para a autofagia de nossos políticos. O descomprometimento com o estado.
