Suor frio nas mãos
Suor frio nas mãos
Uma dúvida razoável, pelos antecedentes de um país cuja legislação legitimado a condescendência com que a Justiça é obrigada a tratar réus patrocinados por grandes escritórios de advocacia, parece começar a ser dissipada: a depender do ministro Joaquim Barbosa e outros, sairá gente do julgamento direto para a cadeia. O relator do mensalão, por sinal, foi incisivo: Se eu não acreditasse (que o julgamento prenderia os responsáveis), não estaria aqui, sacrificando minha saúde há três meses, enfrentado todas essas dificuldades. Eu não sou homem de brincadeiras, respondeu ao que lhe questionavam se haveria punições. Marcos Valério, até a terça-feira, era o único com condenação já definida parcialmente, na medida em que está incurso em outros delitos: 11 anos e 8 meses, o que já o sujeita a regime fechado em penitenciária. Pena aos que são condenados de 8 a 30 anos. Outros virão, a depender da dosimetria que será determinada apenas pelos ministros que votaram pelas condenações em cada caso. Razão de preocupação para o presidente Lula. Estão todos lembrados das declarações de Marcos Valério à revista Veja, demonstrando o pavor que tinha de ser preso. Alegando que lhe fora garantido pela cúpula do PT, aí incluído o ex- presidente, não haverem punições caso a trama fosse descoberta. Ele (Lula) está de fora porque nem eu, nem o Delúbio, nem o Zé falamos, insinuou à revista. Durante dois anos e meio o esquema funcionou; não fora a denúncia de Roberto Jefferson em função de uma corrupçãozinha de R$ 3 mil reais em que um petebista da direção dos Correios foi flagrado. Confirmando a tese de que, nas grandes negociatas políticas, pequenos detalhes podem levar ao desastre. Confirmada a prisão de Valério, poderá ele se dispor a abrir mais o bico!
Veia poética
No ambiente tenso que marcou o desenvolvimento de todo o julgamento do mensalão (outros embates ainda deverão ocorrer entre relator e revisor), o presidente do STF, ministro Ayres Brito, demonstrou satisfação por ter sido poupado do voto decisivo nos casos de empate: 5×5 que beneficiou na lavagem de dinheiro 4 réus (mais 3 inocentados totalmente). Exercitando sua veia poética fez um trocadilho: Fico feliz de não ter que produzir esse voto de Minerva, que é um voto que me enerva.
Em termos
Fiel ao seu estilo mais agressivo, o ministro Joaquim Barbosa que vai a Alemanha por uns dias para tratamento da coluna, ao concordar com o empate beneficiando os réus, em função de o Supremo contar agora com 10 ministros (César Peluso aposentou-se), foi ferino: Minha concordância se dá unicamente pela situação anômala que vivemos. Que essa proposta não se estenda à possibilidade de ausência momentânea (de ministro). Ele próprio!
Estilo Ferreirinha
Os últimos dias de campanha em Curitiba, como previsto, deverão ser mais pesados. Anuncia-se a mudança de comando na propaganda de Ratinho Jr. O responsável pelos vídeos deverá ser alguém mais incisivo. Em benefício do próprio candidato que anuncia manter sua independência absoluta, preconizando novas idéias, mesmo com os apoios que vem recebendo (inclusive do pessoal do governo), espera-se que não seja contaminado pelo estilo de um de seus novos apoiadores e seus gênios do mal.
Ignorá-lo, jamais!
Uma interessante entrevista promovida pelo canal OTV (leia-se RPC), mostrou o candidato Ratinho Jr. descontraído, muito à vontade, com tiradas inteligentes. Deixou claro que entrou na disputa curitibana para aumentar seu cacife político. Sem esperar o sucesso que vem alcançando. Donde a certeza de que o grupo político dominante ao escantear o então deputado Fruet do PSDB, além de criar um forte adversário, ainda patrocinou uma nova liderança. Com 31 anos, Ratinho Jr. estará atuando fortemente nas próximas campanhas. Como candidato, ou como apoiador. Isso se não vencer já!
