Surpreendente…mas não tanto
Meu falecido pai repetia sempre, político de um pequeno município paulista que foi: cabeça de juiz, traseiro de burro e boca de urna, tem que respeitar. Em Curitiba, muita gente aprendeu isso nesta campanha. Não apenas o governador Beto Richa que achando impossível perder uma eleição em que o candidato tivesse seu apoio, menosprezou a grande participação que o então deputado Gustavo Fruet tivera na campanha senatorial defendendo o PSDB. Ficou claro que se tivesse sido lançado pelo partido na disputa municipal, talvez Gustavo até vencesse no primeiro turno. Afinal Ratinho Jr. fez pouco mais que 30% dos votos. Vários são os motivos que refletiram o resultado. Talvez o principal deles o fato de que Curitiba mudou. Como esta coluna tem repetido, a capital hoje é a maior cidade do interior. Desde o fim da cafeicultura; a expulsão dos residentes em áreas inundadas no Paranapanema, no Paranazão e Iguaçu para implantação de usinas hidrelétricas e o domínio de culturas mecanizadas, somados à concentração de investimentos nos grandes centros, o êxodo de gente para Curitiba e região mudou o perfil da cidade e sua área metropolitana. Gente que veio a procura de oportunidades, como o próprio Ratinho pai (Carlos Roberto Massa) viera de Jandaia do Sul. As oportunidades que seu talento abriram, outros não tiveram. Gente que ainda precisa de benesses e que depende muito da prefeitura, dos benefícios dos governos do estado e do país. Como a coluna lembrou na sexta feira, as pessoas querem saber que benefício individual podem receber; no mínimo a seu bairro. Fazer uma campanha em cima do padrão de Curitiba que Ney, Iberê, Arzua, Sabag, Maurício Fruet, Saul, Lerner, Taniguchi construíram; igualmente Greca e Requião como ficou provado na votação do PMDB, não tem sentido. Essa Curitiba pensava-se que não existisse mais.
Saindo da letargia
A virada de Fruet sobre Ducci, forçando sua ida para o segundo turno parece demonstrar o contrário. De repente, essa Curitiba que todos admiram e tem orgulho de nela morar, pareceu despertar da sua letargia. A falta de perspectivas que a mantivessem palpitante como sempre foi, apresentada nesta campanha, pareceu mexer com os brios dos curitibanos. Cabe agora aos beneficiados pelos eleitores, aproveitarem a oportunidade para apresentar projetos mais consistentes.
Desespero de causa
O reinício do julgamento do mensalão hoje, com a ampla possibilidade já esboçada de condenação a todos os três líderes do PT, até agora só defendidos por Lewandowski – Genoino e José Dirceu (o Delúbio foi jogado aos leões) – coloca em evidência uma tentativa anunciada pelo deputado Valdemar Costa Neto de recurso à Corte Internacional de Direitos Humanos da OEA, uma refinada bobagem à qual vão se apegar como se possibilidade houvesse de intervenção. Até porque ‘direitos humanos’ foi o que menos respeitaram quando meteram a mão em dinheiro público.
Problemas agravados pela incompetência
Os problemas enfrentados pela Eletrobrás, estatal responsável por parte da produção e distribuição de energia a vários estados brasileiros, sobre ter ocorrido em função de desastres imprevistos, respondem também por incompetência. Basta a revelação de que do orçamento de R$ 10,4 bilhões para 2012, apenas pouco mais de R$ 3 bi (incluídos os desvios) foram efetivamente aplicados. Logo se vê que a manutenção das linhas de transmissão da empresa, está deixando a desejar.
Em choque
A pergunta a ser avaliada pelos que cercam o governador Beto Richa e o influenciam nas decisões: valeu a pena descartar um companheiro com o potencial já demonstrado pelo Guga numa suicida campanha ao Senado para beneficiar o partido, dar de graça espaço para um PMDB que pouco acrescentou (ao revés, criou descontentamento entre os companheiros de 1a. hora) e, como ficou provado, obedece ainda à liderança de Requião?
Tema para reflexão!
