Tempo de “achismos”

Uma das imagens preferidas de Roberto Requião: quando se refere a políticos de larga vivência como Sarney, Renan e outros, os chama de raposas do rabo felpudo, sem lembrar que ele próprio, se considerados apenas seus cargos eletivos, à partir de 1982 já acumula  31 anos de experiência. Período em que aprendeu muito e adquiriu grande esperteza. Nessa razoavelmente longa trajetória já venceu José Richa, por exemplo, em 1990, apelando para a aposentadoria que este recebia como ex-governador. Curiosamente, aposentadoria pela qual Requião lutou judicialmente para ter direito. Na mesma eleição inventou o Ferreirinha e em 2002, o pedágio: baixa ou acaba. Em matéria de rabo felpudo, já anda perto. Pois agora, mesmo contra a vontade de seus ex-companheiros de partido, alguns dos quais ele criou, admita-se, deseja mais uma vez disputar o governo do Estado. Conta para isso com a garantia do mandato de senador, que termina em 2018, caso seja derrotado. Recebe ainda apoio do Diretório Nacional, que vê na candidatura de Roberto, a oportunidade de manter ou aumentar suas suculentas bancadas estadual e federal no Paraná, o que conta muito para a força que o PMDB  exibe em Brasília, forçando governos (qualquer que seja) a dançar pela sua música. Essa longa digressão sobre a realidade peemedebista, vem a propósito do anunciado convite a Ratinho Jr. para ingressar no partido e garantir sua candidatura a vice de Beto Richa, em 2014. Jogada de alto risco para o jovem Secretário de Desenvolvimento Urbano. Hoje, depende apenas de si e de seu prestígio, já que o PSC pouca expressão tem no Paraná. No PMDB dependerá do que Requião conseguir, podendo inclusive não lhe sobrar nada mais que nova disputa à Câmara Federal.

Dias amargos

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, desde as primeiras manifestações que tomaram conta do país em junho, vive um inferno. Diariamente a rua do prédio em que reside é tomada por manifestantes pedindo  a sua renúncia. Manifestação devida principalmente à divulgação de festa em Paris em que ele, secretários de seu governo e empreiteiros ligados ao Carlinhos Cachoeira (empresa Delta) foram exibidos pela imprensa dançando com guardanapos na cabeça. Despesas pagas pelo estado. Recentemente, viagens do helicóptero oficial levando pessoas e até o cachorrinho da família para passeios turísticos.

Mensalão em xeque

As manifestações, por sinal, que no geral vêm perdendo força, ainda exercem alguma influência. Inclusive no julgamento do STF que ocorre com maior rapidez. O que não é certeza de que as punições  anunciadas serão  mesmo cumpridas. Há opiniões divergentes entre ministros que participaram da primeira fase  (Barbosa/Lewandowski) e a ainda desconhecida opinião dos novos ministros empossados após o encerramento da primeira fase do julgamento.

Brincando…

A ideia do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, não poderia ser mais infeliz: acrescentar R$ 0,50 ao litro de combustível para reduzir os custos do transporte coletivo!  Isso num país que já enfia a mão em quase 40% do que o trabalhador ganha por ano, sem retorno de qualidade. Inclusive no próprio transporte coletivo.

…com fogo

Outro ponto que enfraquece o projeto de Haddad é o estímulo inconseqüente que o governo dá às indústrias automobilísticas, cujas produções recordes superlotam as vias públicas, especialmente dos grandes centros. Aumentando o combustível, se houver maior demanda pelo transporte coletivo, já saturado, o povo certamente voltará às ruas, ainda mais enfurecido.

Em choque

Algumas das idéias defendidas pelo deputado federal Marcus Pestana (PSDB-MG) mereceriam um aprofundamento: fim das coligações proporcionais, fim da reeleição, extinção do cargo de suplente de senador. Temos um sistema irracional e caríssimo afirmou Marcus, em sua passagem por Curitiba.