Tempos novos virão!
Ninguém neste país imagina que se chegaria ao dia em que as mais absurdas previsões iriam estar em xeque. O descrédito nas ações políticas e nas decisões jurídicas, eram gerais. Pois parece que estamos chegando ao ponto em que a descrença generalizada já não mais irá se justificar. Será demais sonhar com isso, à partir das decisões que a então quase desacreditada Justiça brasileira, aparenta punir com o rigor da lei, aquilo que só no folclore brasileiro se via: o famoso teje preso que só atingia os menos aquinhoados! Algumas situações inacreditáveis os primeiros julgamentos do STF já produziram: uma delas a decisão do até então intocável João Paulo Cunha que, depois de ser apontado como receptor de R$ 50 mil reais que teve a pachorra de mandar sua própria esposa, sacar em espécie no Banco Rural, demonstração clara do descaso que se fazia até então ao rigor da lei – ora, a lei!, de desistir da campanha a prefeito de Osasco. Com também o seu mandato de deputado (no mínimo a presidência da Comisssão de Constituição e Justiça), também em risco. Situação acompanhada da preocupação hoje vigente até entre gente de tão alto coturno no PT quanto João Paulo, que começa a pensar seriamente em passar uns dias atrás das grades. Não admira pois que a presidente Dilma esteja tentando manter-se afastada desse julgamento no STF que pode levar ao descrédito pessoas importantes de seu partido. O próprio presidente Lula já não é mais unanimidade. Bem ao contrário: a fortuna supostamente acumulada por seus familiares nestes oito anos em que esteve à frente do governo, já mereceu uma capa pouco laudatória da revista Forbes que aponta as maiores fortunas do mundo. No seu caso, com uma crítica contundente. Razão para a presidente, com um surpreendente comportamento que lembra o de estadista, queira ficar cada vez mais longe.
Decisão contestada
Retomadas as sessões do STF, agora sem a participação do ministro César Peluso, afastado por ter completado 70 anos, situação criticada por ele e acompanhada por muitos que acham, estando um ministro do STF no uso de todas as suas faculdades, somadas à experiência, um erro. Paga-se um pra vestir o pijama e paga-se outro para aprender a ministrar. Quando por mérito ainda vá lá…
Independência desrespeitada
A escolha de juizes, desembargadores, e ministros de Tribunais Superiores neste país, peca por um vício de origem. Uma lista tríplice é formada e encaminhada ao governador no caso dos estados e ao presidente, para as cortes maiores. Onde fica a tão propalada independência entre os poderes da República? Felizmente, como se viu agora no julgamento do mensalão, alguns se mantém independentes. Outros, como também se viu, demonstram agradecimento.
Mensalão permanente
Em qualquer dos casos, tais indicações precisam passar pelos legislativos. Como a maioria dos senadores e deputados federais são subordinados ao Presidente (não importa a forma: seja mensalão, cargos a apaniguados, ou outra forma de atração para a teta farta do governo), o mesmo ocorrendo nos estados e municípios, acaba sempre prevalecendo a opinião do executivos.
Disputa acirrada
Com a saída do ministro Carlos Peluso, uma nova disputa ferrenha começa entre políticos e entidades jurídicas. Embora o atual julgamento mostre que a indicação não obrigue à lealdade, é sempre oportunidade para demonstração de força. Os que não forem prestigiados agora voltarão à carga mais tarde: em 18 de novembro aposenta-se também o ministro Carlos Ayres Britto.
Em choque
Promessa em política não é dívida: o metrô que agora volta a ser discutido na campanha de Curitiba, é projeto jurado desde a eleição de 2008 quando Beto disputou o segundo mandato. Se ganhar alguém que não concorde com o modelo agora defendido – Pinheirinho/Centro, corremos o risco de perder inclusive o R$ bilhão já garantido pelo governo federal.
