Tiros nos pés

O problema de um governo movido a marketing é que, por algum tempo consegue, a um problema grave, sobrepor um efeito positivo de outra área, normalmente ainda em projeto, desviando a atenção da população. Assim por exemplo, no governo Lula, um especialista no assunto, quando do surgimento do mensalão, lançou-se um placebo: o PAC. Ocorre que o efeito do que foi enfiado para baixo do tapete, um dia iria reaparecer. Caiu no colo do governo da presidente Dilma o julgamento dos envolvidos naquele escândalo, com uma repercussão ainda maior pela atuação aberta do STF. Some-se a essa verdadeira herança maldita, os problemas decorrentes do estilo da presidente, que se encoleriza com facilidade, mal assessorada, com dificuldade em se comunicar, com inabilidade política própria dos autoritários na avaliação de quem a conhece bem, e se terá o caldo de cultura em que os problemas hoje vindos à tona se desenvolveram. Começa agora a ganhar força o volta Lula, por parte dos próprios companheiros. Esquecidos que quem vendeu o produto ao eleitorado foi o próprio. Que por sinal saiu em viagem no auge das manifestações, depois de ter aconselhado sua criatura a empurrar os problemas para o Congresso resolver. Apesar de seu sumiço, sua aprovação também sofreu um baque nas pesquisas: embora menos que a queda do prestígio de Dilma, também caiu 10 pontos. O resultado prático da ação dos petistas, preconizando a volta de Lula, é o fim do governo atual. Aí está agora um inócuo plebiscito a desviar as atenções, quase todos já conscientes que, mesmo realizado agora, ao custo de centenas de milhões de reais, seu resultado não será viabilizado em 2014. Ao contrário de ser uma solução, poderá gerar mais frustração. Lula terá coragem de encarar!

Em baixa

Como se não bastassem as dificuldades vividas no momento, com o dólar em oscilação e as fugas de investidores da bolsa de valores brasileira,  afugentados pela falta de confiança na política econômica em que a equipe governamental faz novos truques para oferecer estatísticas nas quais não se acredita, as empresas de Eike Batista entram em parafuso. O que cria problemas para pequenos investidores e bancos, inclusive o BNDES.

Sem milagres

Os milagres anunciados por esse vendedor de sonhos, a cada dia ficam mais distantes. Com os papeis da OGX despencando em 87,21% em um ano, seus investidores trataram de perder os anéis para salvar os dedos. Para alguns resta a esperança de que as empresas do grupo X possam se recuperar. O incrível neste momento, são os boatos de que a concessão de exploração do novo Maracanã será entregue pelo governo a uma das empresas de Eike.

Até na agricultura

A fase está do jeito que o diabo gosta. Para onde se olhe, só se vê problemas. Inclusive numa  que sempre foi a salvação da lavoura: a agricultura. O ex-multiministro, hoje Chefe da Casa Civil do governo do Paraná, Reinhold Stephanes, sempre alertou para a necessidade de uma política do trigo que tornasse o país auto-suficiente. O projeto que a muito custo implantou quando ministro da Agricultura foi abandonado. O resultado aí está: com fornecedores em recesso, o trigo já subiu 50%.

Novos problemas

Noutras culturas o Brasil está tendo problema, contribuindo para o encarecimento e o efeito sobre a inflação. O arroz tem safra pequena, como a do feijão. Com preço em queda momentânea apenas  o café e o milho. Este ainda sujeito aos efeitos  da safra americana. Daí a expectativa de que, na dependência dos preços de alimentos, a inflação tem pouca possibilidade de baixar.

Em choque

As manifestações dos caminhoneiros reivindicando redução dos pedágios e do óleo diesel, a continuarem sendo realizadas da maneira ostensiva, criando problemas para todos os que utilizam as estradas, deixará de receber o apoio de outras categorias. Reivindicação com violência, como já ocorreu em outras, não é bem aceita.