Um Rui diferente
A fala do presidente do PT, Rui Falcão, defendendo o combate à imprensa pelos seus partidários, inclusive reafirmando sua teoria de que as atuações da imprensa e do Ministério Público abrem campo para as aventuras golpistas, redunda num rotundo equívoco. O que interdita a política (a expressão é sua) são as malfeitorias praticadas por governantes e alguns legisladores. Basta ouvir o clamor das ruas, como diria Ulisses Guimarães, e sentir o descontentamento que grassa entre a massa impotente. A situação atual remete a um trecho de outro Rui, o Barbosa, na sua Oração aos Moços, de 1920 . Não o trecho que sempre se cita: De tanto ver prosperar a iniqüidade… Outro mais duro, citando o padre Manuel Bernardes: Bem pode haver ira sem haver pecado. E às vezes poderá haver pecado (omissão), se não houver ira: porquanto a paciência, e silêncio, fomenta a negligência dos maus. O povo está irado mas não tem voz. A sua opinião não é ouvida pelos que no Senado e na Câmara (com a omissão do governo) dizem representá-lo, mas fazem ouvidos moucos às suas manifestações, como a faxina nas calçadas fronteiriças ao Congresso ocorrida na quarta-feira, considerando apenas nos dirigentes que vão eleger, a perspectiva de amanhã serem beneficiados quando cometerem os mesmos erros que esses agora a serem eleitos, cometeram. Não é a imprensa a responsável pelos escândalos que ocorrem, senhor Rui Falcão (diante do outro, pequeno). Ela registra os fatos. Quem está desgastando a incipiente democracia são os partidos, inclusive o seu, que no poder renega tudo o que antes defendeu.
Eleições…
Quando esta coluna estava sendo produzida a eleição na OAB nacional ainda não ocorrera. A reunião para a escolha do novo presidente aconteceu às 19 horas. Em 15 anos foi a primeira vez que tal escolha não foi unânime. Duas chapas disputaram o importante cargo numa entidade que tem se portado como importante defensora da democracia no Brasil.
…padrão Brasil
A preocupação foi com campanha marcada por denúncias, especialmente contra o advogado piauiense, Marcus Vinicius Furtado Coelho, envolvido em várias suspeitas e supostamente envolvido politicamente com o grupo mais retrógrado do país, advogado que foi de Roseana Sarney. A chapa liderada pelo paranaense Alberto de Paula Machado, ex-presidente da seccional da Ordem no Paraná, não escapou a uma denúncia contra o seu candidato a tesoureiro, Ercílio Bezerra de castro Fº.
Peça de ficção
Na segunda feira, quando Gustavo Fruet faz seu primeiro pronunciamento como prefeito na Casa em que iniciou sua carreira política, a Câmara Municipal de Curitiba, embora não se proponha a desfiar um rosário de lamentações, deverá colocar alguns pingos nos ii. Explicar por exemplo que, ao contrário do que inicialmente se divulgou, os compromissos financeiros recebidos sem constar do orçamento de 2013, rondam os R$ 400 milhões.
Não sei de nada!
Quantia que não poderá ser honrada a curto prazo, comprometendo o primeiro ano da administração do candidato pedetista. Interessante é que, ao deixar o cargo, a administração anterior afirmava ter deixado mais de R$ 200 milhões em caixa e que as dívidas poderiam ser saldadas com 15 dias de arrecadação. Desses R$ 200 milhões, nada mais se disse. Donde se depreende que não saber de nada não foi um privilégio do Lula.
Natal fora de hora
Há quem acredite em Papai Noel. Gente séria ainda acreditava que Renan ainda poderia ser induzido a desistir da presidência do Senado. O que seria realmente, a exemplo do que está ocorrendo em cidades do litoral paranaense com o Carnaval, um presente de Natal, fora de hora. O Brasil de joelhos agradeceria.
Em choque
As prateleiras dos supermercados começam a fazer crescer nas donas-de-casa que são mais atentas a isso, a preocupação com a inflação. Como a maneira delas verem o problema é diferente dos economistas governamentais, convém dona Dilma ficar atenta.
