A força de uma nação que samba: R$ 18,6 bilhões e a economia girando. É Carnaval!
O Carnaval não impõe participação a ninguém; ele é uma escolha, uma manifestação coletiva que convive com outras expressões espirituais, culturais e sociais. Respeitar essa convivência é compreender a identidade brasileira.
O Carnaval é uma das mais potentes expressões culturais do Brasil e, ao contrário do que muitas vezes se afirma de maneira apressada, não se resume a dias de festa: ele é história, identidade, economia e sustento para milhares de famílias. Suas raízes remontam ao período colonial, quando tradições europeias se encontraram com matrizes africanas e indígenas, dando origem a uma manifestação genuinamente brasileira.
Do ponto de vista econômico, os dados são claros. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o Carnaval de 2026 deve movimentar R$ 18,6 bilhões em receitas no país, um crescimento de 10% em relação ao ano anterior, impulsionando especialmente os setores de turismo, hospedagem, alimentação e transporte. Outra informação relevante é que, em São Paulo, por exemplo, os blocos de maior porte podem gerar mais de 300 empregos cada, segundo a União dos Blocos de Carnaval de Rua do Estado de São Paulo (UBCRESP), ativando uma extensa cadeia produtiva que vai muito além da avenida.
Esse dinheiro não se limita aos grandes espetáculos televisionados. Ele alcança costureiras que produzem fantasias, aderecistas, cenógrafos, músicos, técnicos de som e luz, coreógrafos, motoristas, ambulantes, artesãos e pequenos empreendedores. Para muitos trabalhadores da economia criativa, o Carnaval representa parcela significativa da renda anual. Segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), investimentos em cultura apresentam elevado efeito multiplicador, gerando retorno econômico superior ao valor inicialmente aplicado, justamente por ativarem cadeias produtivas diversas e estimularem o consumo local. Assim, quando se investe no Carnaval, não se financia apenas um evento, mas um ecossistema de trabalho, arte e empreendedorismo.
Há, evidentemente, quem critique a festa, muitas vezes por convicções religiosas. Em um país democrático, toda opinião merece respeito. No entanto, é igualmente fundamental reconhecer que o Brasil é plural. A liberdade de crença deve caminhar ao lado da liberdade cultural. O Carnaval não impõe participação a ninguém; ele é uma escolha, uma manifestação coletiva que convive com outras expressões espirituais, culturais e sociais. Respeitar essa convivência é compreender que a identidade brasileira foi construída justamente pela soma, e não pela exclusão, de diferentes povos, ritmos, credos e visões de mundo.
O Carnaval é, portanto, mais do que celebração: é patrimônio simbólico, instrumento de geração de renda, palco de crítica social e vitrine da criatividade nacional. Defender sua importância não é ignorar desafios ou problemas pontuais, mas reconhecer que cultura também é desenvolvimento. Em um país marcado pela diversidade, preservar e valorizar suas expressões culturais é reafirmar o respeito à pluralidade que nos constitui.
Por fim, se o Carnaval não é a sua preferência, aproveite o feriado como desejar, mas sem deslegitimar a relevância cultural, social e econômica que ele representa para milhões de brasileiros.
Rosinaldo Nunes Cardoso é Administrador, Especialista em Gestão de Pessoas e Inteligência Competitiva, Mestre em Administração com foco em Empreendedorismo, Inovação e Mercado

